quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Master Julio's 24 years of Ving Tsun (Os 24 anos de Ving Tsun de Mestre Julio Camacho)

Leia ouvindo essa música: AQUI
Read listening to this music: HERE

No Brasil quando uma criança tem uma determinada atitude, pode ser que seus pais ou parentes digam: "Esse daí vai ser médico!" ou "Ihh! Esse daí vai ser jogador de futebol!"...  Na pior das hipóteses, alguém pode dizer: "Esse aí vai ser de briga! É capaz de ser lutador!" ... Mas eu garanto: Ninguém diz: "Esse aí vai ser Si Fu!"...
Meu Si Fu, Julio Camacho, vem percorrendo este caminho do Ving Tsun por 24 anos! 24 anos é a idade que o diretor do Núcleo Barra, André Almeida, tem hoje , so para se ter uma ideia!
E nesta data, de forma singela, vamos celebrar o filho da Vera, primo da Ursula, pai da Jade e da Julia... Si Fu.

When a child displays a particular behavior, their parents or relatives might say, "That one will be a doctor!" or "Ihh! That one will be a soccer player!" ... worst case scenario, someone might say: " That one is feisty! He may well become a fighter" ... But I can guarantee no one says, "That one will be a Si Fu!" ...
My Si Fu, Julio Camacho, has been following the Ving Tsun path for 24 years! Barra Branch manager André Almeida is precisely 24 years old, so that we can grasp what that means!
Today we plainly celebrate Vera's son, Ursula's cousin, Jade and Julia's dad ... Si Fu.
(Si Fu com sua filha mais velha Jade Camacho aos dois anos de idade num parque de diversoes)
(Si Fu with his older daughter at an amusement park when she was 2 years old)

Si Fu poderia ser muitas coisas em sua vida, não tenho dúvidas disso! Porém, quem escreve isso não é um aluno maravilhado com seu Mestre. Mas uma testemunha ocular de diversos momentos nos quais , nesses anos em que o acompanho, pude presenciar suas conquistas e sua capacidade de se reinventar e de contornar situações que para qualquer outra pessoa, seriam impossíveis. E nas vezes em que esse contorno demorou mais do que o normal Si Fu apenas disse: "Nesse momento é como se eu fosse um general que foi atingido por uma flecha, vou precisar me recolher até me recuperar. Até lá, é importante que vocês, os oficiais, tomem a frente." .

Si Fu could have become many things in life, I have no doubt! This is not an statement from a student amazed by his Master. Instead, it comes from a long-term eyewitness of his achievements, his ability to reinvent himself, and his skills to deal with situations anyone else would think as having no way out. And when the outcome took longer than usual Si Fu would just say: "Right now it's as if I were a general who was hit by an arrow, I need to step out until I pull myself together. Meanwhile, it is important that you officers take the lead. " .
(Jade Camacho faz careta para foto no prédio de seus avós )
(Jade Camacho with a funny face for the photo at her grandparents condo)

Quando comecei no Ving Tsun, Si Fu costumava demonstrar mais sua destreza técnica. Certa vez perguntei a ele quando iríamos aprender a usar "Nunchakus". Eu estava no Siu Nim Tau. Si Fu sentado em sua cadeira cercado por outros praticantes sorriu e perguntou:
-Você quer aprender nunchaku? Te ensino agora! Pega lá! - Si Fu apontou para o boneco de madeira.
Eu olhei sem entender e ele confirmou dizendo: "Pega dois braços e me dá." - Ao entregar dois dos três braços do Muk Yan Jong a ele, ele os segurou e pediu que eu ficasse em guarda. Assim que fiquei em guarde ele bateu com um deles em minha mão. (risos)... Enquanto a sacudi por conta da dor, ele levantou-se e bateu na minha outra mão e assim por diante até que rindo eu me afastasse o suficiente. Ele então me entregando os braços perguntou: "Viu? Esse é nosso nunchaku!" - Eu tentei me manter sério e disse: "Mas isso não é um nunchaku!" - Si Fu voltando a se sentar disse: "Claro que é! O nosso não tem correntes!" - Todos riram.
Com o passar dos anos porém, se tornava mais raro ver Si Fu demonstrar uma técnica ou brincar dessa forma. Por outro lado, ele sempre nos deixou conhecer alguns de seus superpoderes: Acreditar em si mesmo, Acreditar no outro, Inovação, Inventividade, Desbravamento e muitas outros, com destaque para seu atributo "carisma" que é +99.

Si Fu used to show his technical skills more often when I was still a beginner in Ving Tsun. I remember I asked him once when we would learn to use "Nunchaku". I was in Siu Nim Tau. Si Fu, sat in his chair and surrounded by other practitioners, smiled and said:
-So you want to learn nunchaku? I'll teach you right now! Go get it! - Si Fu pointed to the wooden dummy.
I was at a loss and he confirmed saying. "Take two arms and bring them to me" - I handed him two of the three arms of the Muk Yan Jong, he took them and told me to stay on guard. As soon as I did so he hit my hand with one of the wooden arms  (Laughs) ... While I was shaking it in pain, he got up and knocked on my other hand and so on until I, still laughing, got out of reach. He then handed me the wooden arms saying: "See? This is our nunchaku!" - I tried to keep serious and said, "But this is not a nunchaku!" - Si Fu, back to his chair, said: "Of course it is ! Ours has no chains!" - Everyone laughed.
Over the years, however, we would see Si Fu show a technique or play that way less and less often. On the other hand, he would always let us learn about some of his superpowers: believing in himself, believing in other persons, innovating, ingenuity, clearing, and many others, most of all his attribute "charisma" which is +99.
(Si Fu com sua filha mais nova, Julia Camacho, ainda com meses de idade)
(Si Fu holding his younger daughter Julia Camacho when she was still only months old)

Para cada brincadeira, para cada conversa, para cada comunicado, para cada almoço, para cada jantar, para cada vez que simplesmente enchemos seu saco e o prendemos no Mo Gun, Si Fu deixou de estar com suas filhas, atrasou projetos para dar a oportunidade que o acompanhássemos neles. Talvez esse seja seu maior poder: Sua capacidade de se doar. Você não vai encontrar Si Fu com sono ou desmotivado... E mesmo quando ele parece irritado e suas sobrancelhas formam uma única linha e ficam retas e uma sombra cobre sua face enquanto ele te olha profundamente. Seu único desejo é que você pare de choramingar e tente enxergar um caminho que ele já viu mas que pacientemente te espera perceber: "As vezes não é o momento" - Diria ele nestes casos em várias oportunidades...

For each joke, for each talk, for each release, for each lunch, for each dinner, for each time we simply tried to annoy him, or locked him in the Mo Gun, Si Fu was giving up being with his daughters, delaying projects to give us a chance to keep up with him. This may well be his greatest power: his ability to give. You will not find Si Fu sleepy or unmotivated... and even when he seems angry, with his eyebrows becoming a single straight line, and a shadow covering his face as he looks deeply at you, his only wish is that you stop whining and try to see a path he has already seen but patiently awaits until you realize: "Sometimes it's not the time" - he would often say in cases like these...
"Pereira, o sonho de todo Si Fu, é que um dia a Família Kung Fu esteja toda bem ao mesmo tempo!" - Si Fu comentou em várias oportunidades comigo esse seu pensamento. Em português, falamos "Mestre" para quem tem o título de Si Fu. E usamos seu equivalente em italiano "Maestro" para alguém que conduz uma orquestra. Os dois casos, podem muito bem ilustrar os 24 anos de Si Fu nesse caminho: Um Mestre e Maestro orquestrando os vários momentos da vida, das filhas, da Família Kung Fu e parando cuidadosamente para esperar alguém que "arrebentou sua corda", recolocar para se juntar novamente a sua sinfonia.

"Pereira, every Si Fu's dream is that one day all the Kung Fu Family is well at the same time!" - Si Fu shared this thought of his on many occasions. In Portuguese, we say "Master" for those who bear a Si Fu title. And we use the equivalent word in Italian "Maestro" for an orchestra conductor. Both cases may well picture Si Fu in this 24-year journey: A Master and Maestro conducting various moments of his life, his daughters', his Kung Fu family's and carefully stopping to wait for someone who "broke their intrument string" put it back together in order to join his symphony again.
 Hoje, simplesmente é impossível imaginar como seria a vida sem o Si Fu. Ainda que muitas vezes tenhamos concordado e discordado, sua influência em minha história é inquestionável. E hoje, me pego pensando nisso: Como deve ser , saber que em 24 anos você influenciou, influencia e ainda vai influenciar a vida de muitas pessoas?Seja numa palavra, num gesto, num sorriso ou até mesmo numa bronca? E quanto deve ser solitária, a espera por todos que estão longe mas não conseguem se aproximar, e dos que estão perto, mas cismam em permanecer distantes?
Esse também é o Si Fu: Um andarilho no Caminho do Ving Tsun que acredita em você mais do que você mesmo e com +99 de carisma.

Imagining how life would be without Si Fu has become simply impossible over time. Although we have as often agreed or disagreed, his influence on my history is unquestionable. And today I find myself thinking about it: How is it to be someone who has had influence in so many people's lives for 24 years, and who will go on having influence in the lives of many more? Either with a word, a gesture, a smile or even a scolding? And how lonely it must be, waiting for all who are still afar and unable to get close, and those who are already close but choose to get out?
This is also the Si Fu: A wanderer in the Ving Tsun path who believes in you more than yourself and has charisma of +99.

(This English version was revised by my To Dai Jaqueline Tergolina)


Abaixo, um pouco de minha história com ele:
Below, a little bit of our history together:





THE DISCIPLE OF MASTER JULIO CAMACHO
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
Moyfatlei.myvt@gmail.com

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Visita do membro do Núcleo Madrid Pablo Macias. (Visit from MYVT Madrid School Pablo Macias)




UMA VISITA EXCELENTE
(An Excellent Visitation)
by Iuri Alvarenga

No dia em que fui convidado para ingressar na família Moy Jo Lei Ou, havíamos marcado um encontro no antigo endereço do Núcleo Barra. Até então eu havia começado a praticar no bairro do Méier e esta era a primeira vez que eu ia para este Mo Gun, por isso resolvi chegar mais cedo para evitar um atraso e deixar meu Si Fu e os demais Si Hing esperando desnecessariamente. Como cheguei mais cedo, ainda estava acontecendo uma prática de combate supervisionada por Si Fu. Além de não ter me preparado para uma prática de combate, me surpreendi com o número de pessoas que estavam praticando e resolvi me comprometer apenas com minhas expectativas e não participar da prática.... Era  minha primeira vez naquele Mo Gun e fiquei olhando as fotos e demais elementos que compunham o espaço, desta acabei ficando bastante distraído do que estava acontecendo ao meu redor. Naquele momento eu certamente era uma figura destacada dos demais.
No dia seguinte ao convite, era dia do meu momento formal e meus Si Hing chamaram a minha atenção para o fato de que um bom praticante de Ving Tsun tem como característica a discrição, o que permite com que se adeque a cada situação, seguindo o fluxo e evitando ser uma figura destacada nas situações mesmo que isso contrarie suas expectativas e desejos.

In the day I was invited to join the Moy Jo Lei Ou Family, we had an appointment at the previous address of MYVT Barra Branch. I had started my practice in the neighborhood of Meier and that was the first time I was going to that Mo Gun, so I decided to come earlier to avoid being delayed and letting my Si Fu and other Si Hing waiting unnecessarily. As I did so, there was a combat practice still going on under the supervision of Si Fu. Besides not being prepared to the practice of fighting, I was surprised by the number of people practicing so I chose to commit myself only to my expectations and kept myself from taking part in the practice... it was my first time at that Mo Gun and I looked at the photos and other elements that made up the space, and got quite distracted from what was going on around me. At that moment I was most certainly an odd man out.
The following day after the invitation was my formal moment and my Si Hing called my attention to the fact that a good Ving Tsun  practitioner is characterized by blending in, which allows them to adapt to each given situation, following the flow and avoiding standing out in situations even if it contradicts their expectations and desires.

Na última terça feira, recebemos no núcleo Barra, a ilustre visita de Pablo Macias, um praticante Espanhol e discípulo (Dai Ji) do Mestre Marcelo Navarro, da linhagem Moy Yat.
Pablo esteve no Rio a convite do Comitê Olímpico Internacional para trabalhar na OBS (Olympic Broadcasting Services), uma TV internacional responsável pela transmissão dos jogos olímpicos, e encontrou uma brecha em sua atribulada agenda de trabalho para visitar meu Si Fu e seu Si Baak, o mestre Júlio Camacho..
Si Fu que no dia vestia uma camisa da seleção de futebol espanhola, presente de seu irmão Kung Fu, o mestre Marcelo Navarro, mostrou-se muito atento e interessado em tudo o que Pablo falava. Para celebrar este encontro, Si Fu convidou a todos para jantar. Eu e meu Si Hing André Almeida aceitamos o convite e acompanhamos Si Fu e Pablo a um restaurante próximo ao Mo Gun. Durante o jantar Pablo me causou uma boa impressão pela sua capacidade de se misturar, parecia bastante à vontade e não fosse pela língua, talvez quem passasse não percebesse que esta era a primeira vez com que conversávamos. Pablo falava com desenvoltura sobre os mais variados temas e a barreira da língua foi se tornando muito estreita, mesmo para mim arranho muito mal o castellano!
Receber Pablo acabou se tornando muito mais fácil do que eu esperava e o grande pilar que sustentou nossa relação foi a habilidade que Pablo teve de se envolver e se adequar às situações que lhes foram apresentadas!

On last Tuesday we received at the Barra School, the illustrious visitation of Pablo Macias a Spanish practitioner and disciple (Dai Ji) of Master Marcelo Navarro, also from the Moy Yat lineage.
Pablo was in Rio under invitation of the International Olympic Committee to work on the OBS (Olympic Broadcasting Services), an international TV channel responsible for the transmission of the Olympic Games, and made time in his busy work schedule to visit my Si Fu, his Si Baak, master Julio Camacho ..
Si Fu, wearing a Spanish football team jersey, gift from his Kung Fu Brother Marcelo Navarro, was very attentive and interested in everything Pablo said. Si Fu invited everyone to dinner in order to celebrate this meeting. My Si Hing André Almeida and I accepted the invitation and follow Si Fu and Pablo to a restaurant near the Mo Gun. During the dinner Pablo's ability to blend in impressed me, he seemed quite at ease and if it weren't for the language, a passerby would not realize that was the first time we were engaged in a conversation. Pablo spoke with ease about many different topics and the language barrier was becoming narrower all the time, even for someone who barely understands Spanish like me!
Entertaining Pablo turned out to be much easier than I had expected and the great pillar that supported our relationship was Pablo's ability to engage and adapt to the situations presented to him!
(Mestre Marcelo Navarro usando a camisa do time de coração de Si Fu com Pablo)
(Master Marcelo Navarro wearing Si Fu´s beloved soccer team with Pablo)

(This English version was revised by my Si Jaat Jaqueline Tergolina)

domingo, 28 de agosto de 2016

You do not need to be fitness in martial arts![(Você não precisa ser fitness nas artes marciais!)]


(Bruce Lee, com frequência encomendava aparelhos de exercício físico e inseria essas atividades em suas rotinas de práticas de artes marciais. Steve McQueen, famoso ator da época e ex-aluno de Lee chegou a declarar: 
"Seu corpo era duro e definido como mógno")
. (Bruce Lee often commended exercise apparatus and inserted these activities in his routines of martial arts practices Steve McQueen, famous actor of the time and former student of Lee even said:

"His body was hard and set as mahogany")


Ainda posso me lembrar de bem no início das atividades do Núcleo Méier. Quando uma moça que nos visitava para saber mais a respeito do que se tratava o Ving Tsun estava sentada a minha frente ao lado de um ex-praticante que tinha lhe indicado o local.
Tudo o que tínhamos eram quatro cadeiras , uma mesa e um bebedouro. Ocupávamos três das quatro cadeiras quando a perguntei o que buscava com a prática das artes marciais- “Sabe...” – Começou ela – “... Quero entrar em forma. Mas como não gosto de musculação, fiquei na dúvida entre o boxe e o kung fu”. – Nos anos anteriores, entre 2007 e 2010, havia acompanhado Si Suk Ursula em inúmeras apresentações quando ainda funcionávamos numa escola de dança da região sob a alcunha de “Unidade Méier”, mas nunca presenciara nada parecido. E logo em meus primeiros momentos como Diretor de Núcleo , algo assim acontecia. Não tive dúvidas e respondi: “Nesse caso,  não seriam interessantes nem o boxe nem o Ving Tsun ou qualquer outra arte marcial chinesa.” – O rapaz que havia levado ela até lá, me olhava espantado. – “Sugiro que você procure uma academia de ginástica para que tenha um acompanhamento específico de seu objetivo por um profissional de Educação Física”.
A menina não se inscreveu, nem nunca mais voltou. Seu amigo , também parou de praticar. E anos depois, acredito que poderia propor muito mais do que um conselho, mas gostaria de falar sobre esse tema...

I can still well remember at the beginning of the Meier School activities. When a young woman who was visiting us to learn more about what it was the Ving Tsun was sitting in front of me next to a former practitioner who had shown her the place.
 All we had were four chairs, a table and a water cooler. We occupied three of the four seats when asked what she sought with the practice of the martial arts - "You know ..." - she started it - "... I want to get in shape. But as I do not like weight training, I was in doubt between boxing and kung fu. " - In the years between 2007 and 2010,I had accompanied Si Suk Ursula in numerous visits while we still were in a dance school in the region under the name " Meier Studio", but never witnessed anything like it. And then in my early days as Director of the School, something happened. I had no doubts and said, ". In that case, would not be interesting boxing or the Ving Tsun or any other Chinese martial art" - The boy who had brought her there, he looked at me amazed. - "I suggest you look for a gym that has a specific follow-up to your goal by a professional of Physical Education".
 The girl did not sign up, and never returned. His friend also stopped practicing. And years later, I believe I could offer much more than advice, but would like to talk about this topic ...

 You do not need to be fitness in martial arts!
(Você não precisa ser fitness nas artes marciais!)

Imagine que você é um jogador de futebol de rua. Você cresceu jogando na rua, em campinhos pelo bairro, quem sabe até se tenha se tornado federado. Junto disso, você colecionou álbuns de figurinhas sobre futebol, viu jogos, presenciou e participou de conversas a esse respeito. Além disso, tudo, você vive num país que “respira” essa cultura futebolística.
Por questões políticas, mais velho, você sai do Brasil e vai viver na China. Mais ou menos no final da década de 60. Você se apresenta como um ex-jogador e abre sua escolinha de futebol. Naquela época, naquelas condições, quem poderia lhe contestar?
Com essa história na cabeça  , que meu Si Fu tanto deu como exemplo nestes anos. Imagine o mesmo acontecendo da China em direção ao Ocidente com as artes marciais chinesas.

Imagine that you are a street soccer player. You grew up playing in the street, in  the neighborhood, maybe even if you has become federated. Along that you collected figurines albums and watch soccer games , witnessed and participated in conversations about it. Also, you live in a country that "breathes" this soccer culture.
  For political reasons, older, you come out of Brazil and will live in China. More or less at the end of the decade of 60. You introduce yourself as a former player and opens your soccer school. At that time, in those conditions, who could dare you were saying the truth?
With this story in mind, my Si Fu  gave that story as an example for years. Imagine the same happening in China toward the West with Chinese martial arts.

(Mestra Ursula Lima, é Diretora do Núcleo Copacabana e Líder da Família Moy Lin Mah. 
A única Mestra de Ving Tsun do mundo reconhecida pela IMYVT Federation.)

(Master Ursula Lima, is Director of the Copacabana School and  Family Leader of Moy Lin Mah Family.
The only Female Master of Ving Tsun in the world recognized by IMYVT Federation.)

No caso do Ving Tsun, por vezes foi esquecido que se trata de uma arte marcial cuja qual , a fundação é atribuída a uma mulher. As práticas e abordagens desta arte, ressaltam a natureza feminina. Ainda assim, observamos o uso indevido de exercícios físicos , antes das práticas por vários profissionais até hoje em nosso país.
Veja, a forma pela qual uma Família Kung Fu tem acesso ao Sistema Ving Tsun é algo bem particular. Porém, torna-se imprescindível, esclarecer para o grande público, que rotinas de exercícios aeróbicos e de força, não fazem parte do Sistema Ving Tsun.
O Sistema Ving Tsun é composto por seis listagens (conhecidas como “formas”):  Siu Nim Tau, Cham Kiu, Biu Ji, Mui Fa Jong, Luk Dim Bun Gwaan e Baat Jaam Do. Os componentes associados a cada uma delas, que muitos chamam de “exercícios”, são na verdade, contribuições de diferentes gerações de nossa ancestralidade.  Por isso, precisamos entender , que o Siu Nim Tau por exemplo, trabalha regiões bem específicas do corpo, e , fazer exercícios complementares a ele para poder praticá-lo, é ao mesmo tempo, desconsiderar seu estudo.

In the case of Ving Tsun, it was sometimes forgotten that it is a martial art whose which the foundation is attributed to a woman. The practices and approaches of this art, emphasize the feminine nature. Still, we observe the misuse of physical exercise before the practice by many professionals today in Brazil.
See, the way in which a Kung Fu family has access to the Ving Tsun system is something very particular. However, it is essential to clarify for the general public, that cardio and strength routines, are not part of the Ving Tsun system.
The Ving Tsun system consists of six lists (known as "forms"): Siu Nim Tau, Cham Kiu, Biu Ji , Mui Fa Jong, Luk Dim Bun Gwaan and Baat Jaam Do. The components associated with each of them, which many call "exercises" are actually contributions of different generations of our ancestry. Therefore, we must understand that the Siu Nim Tau for example, works very specific regions of the body, and do additional exercises to it to be able to practice it, it is at the same time disregard its study.
(Nossa instituição ,através de alguns de seus membros como o Mestre Senior Fabio Gomes,realizou trabalhos direcionados com forças especiais em território nacional 
como o Batalhão de Operações Especiais da PM do Estado do Rio de Janeiro.)

(Our institution through some of its members as the Senior Master  Fabio Gomes, conducted targeted work with special forces in national territory
as the Special Operations Battalion of the Military Police of the State of Rio de Janeiro.)

Si Gung disse numa demonstração para o Exército e demais forças nacionais e internacionais durante os Jogos Militares alguns anos atrás, sobre o Kung Fu , ser um termo que se refere a “reunir recursos”. Por isso, ouvi de meu Si Fu por diversas vezes: “Se está doendo, tem algo errado”. – A dor, não é bem-vinda na prática do Ving Tsun. O “trabalho duro” , possível tradução para “Kung” de “Kung Fu”. Não é o “trabalho duro” que pensamos no ocidente , baseado na lógica grega dos Doze trabalhos de Hércules. É , uma dedicação inteligente, na qual você não aprende por repetição. Você aprende , a medida que consegue desenvolver sua capacidade de apreciar determinado movimento com cada vez mais detalhes.

Si Gung said in a statement to the army and other national and international forces during military games some years ago, about Kung Fu, is a term that refers to "gathering resources". So I learned from my Si Fu several times: "If it hurts, there's something wrong." - Pain is not welcome in the practice of Ving Tsun. The "hard work", possible translation of "Kung" from "Kung Fu". It is not the "hard work" we think in the West, based on Greek logic of the Twelve works of Hercules. It is an intelligent dedication, in which you do not learn by repetition. You learn, as you can develop your ability to enjoy certain movement with increasing detail.
(Meu Si Fu realiza o Siu Nim Tau na antiga sede mundial da Moy Yat Ving Tsun nos anos 90)
(My Si Fu doing Siu Nim Tau at the former MYVT headquarters in the 90's)

Por isso, meu Si Fu apontou certa vez, que quando usamos o ideograma “Lin” de “Siu Lin Tau”. Estamos falando algo como “Pequeno treino(lin) inicial”. Ao mesmo tempo que “Siu Nim Tau”,  dentre tantas possibilidades, pode ser traduzido como “Ideia(Nim) embrionária(Siu) do Início(Tau)” – Porque essa ideia (Nim) que antes era “pequena”(Siu) vai se desenvolver. Não ficará pequena para sempre.
Dessa forma, não vemos razão em se dedicar a “treinar” e “repetir até ficar bom”. Vemos sim, uma necessidade, de aprender a explorar uma determinada coisa de todas as formas possíveis e impossíveis para que dela, você tire uma inteligência. Inclusive , para lutar.

So my Si Fu pointed out once that when we use the ideogram "Lin" of "Siu Lin Tau." We're talking about something like "Small beginning training (lin) ." While "Siu Nim Tau", among many possibilities, can be translated as "Idea (Nim) embryo (Siu) of the beginning(Tau)" - Because this idea (Nim) was once "small" (Siu) will develop. It will not be small forever.
Thus, we see no reason to devote to "train" and "repeat until good." We see rather a need to learn to explore a certain thing of all possible and impossible ways for it, you take an intelligence. Even to fight.



The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com

terça-feira, 23 de agosto de 2016

The NY Times : "Kung Fu is Dying" ( The New York Times: "O Kung Fu está morrendo.")


Por mais uma vez, um dos colunistas do "The New York Times" fala sobre "Kung Fu". Nesta matéria que saiu nas páginas de seu jornal impresso em 23 de Agosto desse ano, e nesta semana numa versão on line. Fala sobre a difícil situação que os diferentes estilos de Kung Fu tradicional estão vivendo em Hong Kong.
Com os altos preços do aluguel, e um aumento no interesse dos jovens por seus celulares , games e outros assuntos que não o Kung Fu. As escolas escasseiam , e as poucas que restam estão vazias.
Para ler a matéria original em inglês clique (AQUI). A tradução do Blog segue abaixo:

For once again, one of the columnists of the "New York Times" talks about "Kung Fu." This article came out in the pages of their printed newspaper on 23 August this year, and this week a version online. Talks about the difficult situation that the different Kung Fu traditional styles are living in Hong Kong.
With the high prices of rent, and an increase in the interest of young people to  their phones, games and other subjects than Kung Fu. The schools are scarce, and the few that remain are empty.
To read the original story in English click (HERE). Translation for portuguese by the Blog follows:

Versão Traduzida:


Jornal "The New York Times" :
 "Exit the Dragon? Kung Fu, Once Central to Hong Kong Life, Is Waning
 ("O Kung Fu , antes fundamental no dia-a-dia de Hong Kong, agora está morrendo.")
por Charlotte Yang 


HONG KONG - Bruce Lee tinha 14 anos, e estava no lado perdedor de várias brigas de rua  com membros de gangues locais, quando ele começou no kung fu.

Era 1955, e em Hong Kong estava em polvorosa, com as escolas a ensinar uma variedade de estilos de kung fu, incluindo técnicas de combate a curta distâmcia e um método utilizando uma arma assustadora conhecida como o "tridente dos nove dragões".

A decisão do Sr. Lee valeu a pena. Depois de aperfeiçoar movimentos como o soco de uma polegada e pontapés sob a tutela de um grande mestre, ele se tornou uma estrela internacional, e apresentou o kung fu para o mundo em filmes como "Enter the Dragon", em 1973.

Décadas mais tarde, sinalização de "saída do dragão"* (* Trocadilho com "Enter the Dragon").

A cultura do kung fu que o Sr. Lee ajudou a popularizar - e que deu à cidade uma imagem corajosa, exótica aos olhos dos estrangeiros - está em declínio. As ruas de Hong Kong são mais seguras, com menos assassinatos por parte das organizações criminosas violentas conhecidas como tríades que figuraram em tantos filmes de kung fu. E seu setor imobiliário está entre os mais caros do mundo, o que torna difícil para as escolas de Kung Fu pagar alugéis crescentes.

Longe vão os dias em que "kung fu foi uma grande parte da vida cultural e de lazer das pessoas", disse  Ricardo Mak, o autor de uma história sobre artes marciais em Hong Kong. "Depois do trabalho, as pessoas iriam para escolas de artes marciais, onde elas cozinhavam o jantar juntos e praticavam kung fu até 11 à noite."

Com uma mudança nas preferências de artes marciais, a ascensão de jogos de video game - mais adolescentes estão a jogar "Pokémon Go" em parques aqui do que praticando um único chute - e  existe uma percepção entre os jovens de que kung fu não é mais tão legal,  artistas marciais de longa data temem que o futuro do kung fu seja sombrio: "Quando eu estava crescendo, muitas pessoas aprenderam kung fu, mas hoje já não é mais o caso"- disse Leung Ting(de 69 anos), que tem ensinado Wing Chun, uma técnica de combate a curta distância, por 50 anos. "Infelizmente, eu acho que as artes marciais chinesas são mais populares no exterior do que em sua terra natal agora."

Poucas escolas de kung fu permanecem em Yau Ma Tei, um distrito de Kowloon, que já foi o centro para as artes marciais. Nathan Road - onde o jovem Bruce Lee aprendeu o Ving Tsun com Ip Man (muitas vezes escrito Yip Man), o lendário mestre que foi o tema do filme de Wong Kar-wai em 2013 "The Grandmaster" - agora está repleta de lojas de cosméticos e farmácias que atendem para os turistas da China Continental..
Embora  viva em Yau Ma Tei, Tony Choi, um graduado recente da faculdade, nunca foi tentado a verificar as escolas de artes marciais que ainda restam. Sr. Choi, de 22 anos, disse que "Simplesmente Kung Fu nunca me veio a cabeça."- Ele acrescentou: "Kung fu é mais para tios aposentados e vovôs".
Quando resolvem praticar artes marciais, as pessoas mais jovens aqui tendem a escolher boxe tailandês e judô. Valerie Ng, um estudante universitária de 20 anos de idade, diz que prefere boxe tailandês porque é "atraente e encantador" e não demora tanto tempo para dominar. Ela observou que os mestres de kung fu muitas vezes não têm músculos definidos e que alguns deles parecem, bem, um pouco gordinhos. - "Você pode ver como feroz boxe tailandês é , só de assistir a lutas profissionais", disse ela. "Mas eu raramente vejo  kung fu nessas lutas, o que me faz pensar se esses mestres de kung fu são realmente bons em combates ou eles simplesmente afirmam ser", disse ela.

Então Tak Chung, de 59 anos de idade, lembra de como as coisas eram diferentes. Quando ele era um menino, ele e seus amigos corriam para casa da escola o mais rápido que podiam para assistir programas de kung fu  na televisão: "Kung fu sempre me deu um senso de justiça e orgulho em ser chinês"-  Sr. Chung então disse ao esticar as pernas para uma aula de noite de domingo em Kowloon Park: "Eu me sentia como se  soubesse kung fu, você poderia bater nos caras maus e ajudar os necessitados."
O então Mestre ,Sr. Mak Che Kong, de 64 anos, é menos esperançoso sobre o futuro. Ele dirigiu uma das últimas escolas em Kowloon na década de 1980, mas os aluguéis crescentes o obrigou a encerrar as atividades, juntamente com outras empresas familiares que antes eram a energia de Hong Kong na sua vida urbana, como farmácias de "Dit Da" (liquidos para lesões), ou de fixação de osso, lojas que usam medicina tradicional chinesa para tratar entorses e fraturas.

Sr. Mak, que não está relacionado com o autor da história de artes marciais, que tem menos de 20 alunos agora, contra o dobro desse número há vários anos. A maioria dos estudantes tem mais de 40 anos de idade. Ele dá aulas em toda a cidade, porque "os alunos não aparecem se eles precisam  viajar muito para chegar ao local de prática".  Às terças-feiras, ele ensina em um cais no distrito central da cidade; às quartas-feiras, perto de um cartório de casamento do Governo em Sha Tin nos Novos Territórios (New Territories); e aos domingos, em um parque público em Kowloon. Às segundas-feiras e sextas-feiras, ele ensina em uma escola de kung fu em um armazém aberto por um de seus alunos.

Descrevendo-se como sendo da "velha guarda", o Sr. Mak ferozmente defende as tradições do kung fu. "Kung fu chinês não é sobre a luta; trata-se de paciência e trabalho duro ", disse ele.

Quando soube do kung fu na década de 1960, mestres eram figuras paternas e seus aprendizes tinham profundo respeito por kung fu. Os estudantes estavam dispostos a gastar meses ou anos aperfeiçoando assim a sua posição de base, uma posição de descanso, muitas vezes usada para a prática de socos e fortalecer as pernas e costas. - "Hoje, se você perguntar a um estudante a praticar postura do cavalo durante uma aula, ele não vai vir de novo", disse Mak. "Eles estão acostumados a viver uma vida confortável."

Em Inglês, kung fu é frequentemente usado como um termo genérico para todas as artes marciais chinesas. Mas em chinês, refere-se a qualquer disciplina ou habilidade que é conseguida através do trabalho duro.
Kung fu traça a sua história para a China antiga, com centenas de estilos de luta a desenvolver ao longo dos séculos. Mas subiu em popularidade no início do século 20, com a revolução cultural que varreu a nação.
Após a queda da dinastia Qing um século atrás, o partido nacionalista chinês, ou o Kuomintang, utilizou as  artes marciais para promover o orgulho nacional, e a criação de competições e enviar uma equipe  para os Jogos Olímpicos. Mas o governo também tentou suprimir os filmes de "wuxia", um  gênero de literatura e cinema sobre artes marciais, pois o considerava muito supersticioso e potencialmente subversivo.

Quando os nacionalistas cairam em 1949, o novo governo comunista em Pequim procurou controlar as artes marciais do continente chinês. O Templo Shaolin, que dizem ser a casa de artes marciais asiáticas no centro da China, foi saqueado durante a Revolução Cultural de 1966-76 e seus monges budistas presos.
Ao longo dessas décadas, artistas marciais da China continental se refugiaram na então colônia britânica de Hong Kong.
Na década de 1970, a febre do kung fu tinha se espalhado por todo o mundo. Além de filmes de Bruce Lee, a série de televisão "Kung Fu", estrelado por David Carradine, se tornou um dos programas mais populares nos Estados Unidos.
O gênero influenciou uma geração de diretores, incluindo Quentin Tarantino e Ang Lee, eo ator Jackie Chan e outros que têm mantido vivo o gênero como comédia.

Em uma reviravolta, kung fu tem desfrutado de um renascimento na China continental, onde o governo o padronizou e o promoveu nas escolas secundárias como um esporte conhecido como "wushu" para promover o orgulho nacional.

Como o centro de artes marciais  desloca-se para o continente, alguns em Hong Kong manifestaram esperança de que o governo de HK poderia apoiar um renascimento também. Outros estão tentando continuar a tradição por si mesmos.

Li Zhuangxin,  de 17 anos de idade, vem estudando a arte do Ving Tsun por mais de quatro anos. Ele foi inspirado pelo seu avô, um devoto do estilo de luta Hung Ga que deu o Sr. Li sua primeira aula de kung fu aos 8 anos.

Ele espera abrir sua própria escola de kung fu um dia - talvez no continente, onde o interesse é maior e os aluguéis são mais baratos - e já criou um pequeno clube de Ving Tsun, com oito membros, em sua escola.

Poucos de seus colegas já tinha ouvido falar de Ving Tsun antes. Sr. Li, destemido, diz que quer transmitir "a concentração e determinação do kung fu" para seus amigos, que ele lamenta serem "interessados apenas em jogar com seus celulares."

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

GOING TO CHAM KIU (ACESSANDO O CHAM KIU)

Foto de recordação do Yam Cha no qual Pedro Oliveira (camisa vermelha) foi autorizado a começar o segundo Domínio do Sistema Ving Tsun chamado "Cham Kiu".

Photo of the Yamcha in which Pedro Oliveira (red jersey) was allowed to start the second Domain of Ving Tsun system called "Cham Kiu".



Por acreditar que não tenho tempo a perder, decidi acordar cedo naquele feriado para encontrar o Si Fu para tomar café. Eu poderia ter ficado dormindo mais um pouco... Estava cansado, estava longe, eu até merecia... Tinha tudo o que precisava para ficar em casa . Mas as cinco da manhã, levantei, tomei um banho e fui para o local do café.
Si Fu costuma dizer que se participamos de um determinado acontecimento. Podemos saber o que ganhamos com ele. Porém, se não vamos. Ainda que alguém nos conte nos mínimos detalhes o que ocorreu, nunca será a mesma coisa. Isso porque, somente a nossa presença já alteraria todo o cenário. E por mais que o narrador , traga bastante acurácia em sua fala...Ainda assim, é a experiência dele que estamos ouvindo...

Believing that I have no time to lose, I decided to wake up early on that holiday to find Si Fu to Yam Cha. I could have been sleeping a little longer ... I was tired, I was far away, I even deserved ... It had everything I needed to stay at home. But at the five in the morning, got up, took a shower and went to the local cafe.
Si Fu usually says that if we participate in a particular event. We know what we learn from it. But if we do not. Although someone tell us in detail what happened, it will never be the same. This is because just with our presence , would change the whole scenario. And as much as the narrator, bring enough accuracy in speech ... Still, it is his experience that we are listening ...
(Pedro Oliveira , ladeado por Pedro Correa que é seu Si Hing, ouvem Si Fu atentamente)
(Pedro Oliveira, with his Si Hing Pedro Correa by his side, listenning to their Si Fu carefully)


Existe uma etiqueta própria à mesa, que buscamos entender no mundo do Kung Fu. Um desses conceitos se relaciona ao fato de repensarmos a verdadeira razão de sentar à mesa com alguém: A comida ou a relação. Se a resposta for o segundo item, perceberemos que o prato, o tempo que vamos levar para comer, ou mesmo a conta a ser paga. Tudo leva a pensar no outro antes de nossa fome.
Por isso, quando cheguei, encontrei Guilherme de Farias e Pedro Oliveira sentados esperando por Si Fu.

There is and specific chinese etiquette, which we seek to understand in the realm of Kung Fu. One of these concepts is related to the fact rethink the real reason to sit at the table with someone: The food or the relationship. If the answer is the second item, we realize that the dish, the time we will take to eat, or even the bill to be paid. Everything leads us to think of the other before our hunger.
So when I arrived I found Guilherme de Farias and Pedro Oliveira sitting waiting for Si Fu.

É contado em nosso Clã, que muitos pais que viviam próximos ao Templo Shaolin(Siu Lam). Deixavam seus filhos na porta do local, na esperança de que pudessem ser aceitos como discípulos e ter a chance de sobreviver, já que as condições de vida eram muito rigorosas.
As crianças que resistiam a fome, frio e as vezes sede diante dos portões de Shaolin, eram aceitas. Quando estas adentravam, precisavam passar por um último teste. Antes porém , eram levadas até um salão (Tong) no qual recipientes para chá e uma bolacha bem dura , estavam dispostos nas mesas.
Os mais apressados , ao verem as bolachas as devoravam, devido a fome que tinham passado. Outros aguardavam.
Quando o Si Fu do local aparecia, todos se levantavam e sentavam ao mesmo tempo que ele. O Si Fu então dizia: "Para vocês serem aceitos, precisam apenas conseguir beber um gole de chá" - Os meninos agarravam seus recipientes e quando iam encher com chá, observavam que não havia fundo. Usando a bolacha dura no fundo do recipiente, era possível beber o chá.  Porém, aqueles que bebiam o chá antes da chegada do Si Fu, eram automaticamente convidados a se retirarem.

It is told in our clan, many parents who lived near the Shaolin Temple (Siu Lam). They left their children in the front door, in the hope that they could be accepted as disciples and have a chance to survive, because the living conditions were very strict.
Children who resisted hunger, cold , were accepted. When these were entering, they had to pass a final test. Before that, they were taken to a Hall(Tong) in which containers for tea and a pretty tough cookie, were arranged on tables.
The more rushed, seeing the cookies devoured because of hunger had passed. Others waited.
When the Si Fu of the site  appeared, everyone stood up and sat at the same time as him. The Si Fu would then said: "To you be accepted, need only be able to drink a sip of tea" - The boys grabbed their containers and when they went to fill with tea, observed that there was background. Using the hard biscuit in the bottom of the cup, it was possible to drink tea. However, those who drank the tea before the arrival of Si Fu, were automatically asked to leave.
Esse pequeno teste, na verdade mostra um dos principais atributos do praticante de Kung Fu: Não se desequilibrar emocionalmente por conta das circunstâncias. Isso quer dizer, apesar da fome, aguardar o mais antigo chegar para se começar a comer.

This little test actually shows one of the main attributes of the Kung Fu practitioner: Do not unbalance emotionally because of the circumstances. This means, in spite of hunger, wait for the oldest get to start eating.
Em Hong Kong, Si Fu serve chá para Si Taai Po Helen Moy observado no canto esquerdo por Si Baak Gung Micky Chan em mesa que contava com a presença de Tsui Chong Tin. Discipulo de Ip Man e integrante de sua primeira geração de alunos em Hong Kong.

In Hong Kong, Si Fu serves tea to Si Taai Po Helen Moy noted in the left corner by Si Baak Gung Micky Chan in a table which included the presence of Tsui Chong Tin. Disciple of Ip Man and member of his first generation of students in Hong Kong. 

Si taai Gung Moy Yat nos anos 90 com seus Si Hing: Ip Jung, Ip Jing e Tsui Chong Ting nos EUA.
Si Taai Gung and his Si Hing in the 90's: Ip Jung, Ip Jing e Tsui Chong Ting


É de praxe a mesa, que o mais novo sempre sirva o mais antigo. Mas nada na cultura chinesa é uma regra definida. O copo de ninguém nunca pode estar vazio, principalmente o do mais antigo presente. E a maneira mais sutil da pessoa dizer que não quer mais, é simplesmente deixando seu copo cheio.

It is usual in the table, the youngest  to serve the oldest. But nothing in Chinese culture is a set rule. The glass of one can never be empty, especially the oldest present. And the more subtle way of saying that  does not want more tea, is simply leaving your glass full. 

(Guilherme, Pedro Oliveira & Pedro Correa)


Quando estamos com fome, geralmente só pensamos em nós mesmos. Queremos ser os primeiros a comer, se nossa comida vem antes da pessoa ou pessoas que estão conosco nós começamos a comer primeiro, só lembramos de pedir mais comida para nós mesmos. Mas , se temos Kung Fu, mesmo num momento de crise como quando estamos com fome, ainda assim, teremos capacidade de pensar no outro antes de comermos.


When we are hungry, usually we only think of ourselves. We want to be the first to eat, our food comes before the person or persons who are with us we start to eat first and dont care about the other, just remember to ask for more food for ourselves. But if we know Kung Fu, even at a time of crisis as when we are hungry, yet we have the ability to think on the other before we eat. 

Muitas vezes , o motivo de estarmos à mesa, está muito além de simplesmente comermos. Quase sempre estamos ali para discutirmos assuntos importantes. Mas mesmo quando é simplesmente para passarmos um tempo juntos, é importante não intorremper o fluxo da mesa. Quem tiver mais Kung Fu, vai conseguir fazer a comida continuar chegando, deixar todos comendo , saber a hora de pedir a sobremesa, e saber como fechar a conta.
Dar um soco na hora certa, chutar quando se deve chutar, é ótimo. Mas transpor esses conceitos para o nosso dia-a-dia é o verdadeiro desafio de todo o praticante!


Often the reason we are at the table, is far beyond simply eating. Almost always we are there to discuss important issues. But even when it is simply to spend time together, it is important not intorremper the flow of the table. Who has more Kung Fu, will continue to make the food coming, let everyone eating, knowing when to ask for the dessert, and know how to close the account.


Naquela manhã, ainda contamos com a presença de um dos Daai Si Hing (Termo em cantonês que denota o que tem mais tempo na Família Kung Fu), Mestre Leonardo Reis(foto acima ao lado de Si Fu).
Fiquei sabendo que a ideia daquele Yam Cha era formalizar o acesso de Pedro Oliveira ao segundo Domínio do Sistema Ving Tsun chamado "Cham Kiu" , orientado por Guilherme de Farias.
Foi possível acompanhar muitos temas interessantes discutidos à mesa sobre a cultura chinesa e também conhecer um pouco mais sobre Pedro.
Sem dúvidas, valeu a penas acordar um pouco mais cedo naquela manhã....

That morning, we also count on the presence of one of Daai Si Hing (in Cantonese term that denotes what has more time in the Family Kung Fu), Master Leonardo Reis(photo above by Si Fu´s side).
I learned that the idea that Yam Cha was formally Pedro Oliveira access to the second domain of the Ving Tsun system called "Cham Kiu", directed by Guilherme de Farias.
It was possible to follow many interesting topics discussed at the table about Chinese culture and also learn a little more about Peter.
No doubt, it was worth the feathers wake up a little earlier that morning ....


The Disciple of Master Julio Camacho
THiago Pereira "Moy Fat Lei"
whats app +55 21 98809-8862

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

II Ceremonial Act of Moy Fat Lei Family[II Ato Cerimonial da Família Moy Fat Lei]

(Sentados da esquerda para a direita : Meu Si Hing Leonardo , 
eu, meu Si Fu e meu Si Hing Cledimilson)

(From left: My Si Hing Leo , I, my Si Fu and my Si Hing Cledimilson)


A segunda Cerimônia na qual participei, foi para acessar o Cham Kiu. Na Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, não nos valemos dos chamados “exames de faixa” para que alguém acesse o nível seguinte. Mesmo porque, não usamos faixas. Meu Si Fu (palavra do dialeto cantonês para “Mestre”) me disse uma vez que se você conhece o seu companheiro, vai saber em que nível ele está, então a faixa se torna desnecessária.

The second ceremony in which I participated, was to access the Cham Kiu. In Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, we do not do  the so-called "belt exams" for someone to go to the next level. Even because we do not use belts. My Si Fu (Cantonese dialect word for "Master") once told me that if you know your partner will know at what level he is, then the belt becomes unnecessary.
(Todo o local para a Cerimônia, os convidados, o restaurante 
para o almoço na sequência. Foram organizados pelos próprios praticantes.)

(The whole place for the Ceremony, the invitations, the restaurante 
for the lunch after, were organized by the practitioners theirselves)

Em nossa instituição usamos os Procedimentos Cerimoniais, que são eventos com determinadas formalidades listadas em procedimentos. Nas quais o praticante tem a oportunidade de organizar o evento com o auxílio de um membro mais antigo, de forma a explorar outros aspectos de liderança , interpessoalidade e demais possibilidades . Num cenário diferente das sessões nas quais aprende técnicas.

In our institution we use the Ceremonial Procedures, which are events with certain formalities listed in procedures. In which the practitioner has the opportunity to organize the event with the help of an older member, to explore other aspects of leadership, interpersonality and other possibilities. In a different scenario of sessions in which learning techniques.

Na Cerimônia em que acessaria o segundo nível do Sistema Ving Tsun, me encontrava com 16 anos(foto). Era uma manhã de Sábado e basicamente todos os meus familiares estavam presentes. Na época, a prática do Ving Tsun ainda contava como um hobby para meus pais. Essa Cerimônia foi dentro do antigo Núcleo Jacarepaguá, e estava bem cheia. Eu ainda usava cabelos com corte “asa-delta” , calçava All-Stars e não me sentia tão nervoso assim... Porém, dezesseis anos se passaram num piscar de olhos. Coloquei meu blazer branco num cabide para não amassar e uma mochila no outro ombro. Estava com sapatos pretos, calça preta e “Tong Jong” (blusa tradicional chinesa) preto. Mais uma cerimônia iria acontecer, mais uma cerimônia dentro do “Mo Gun”(Local de prática). Mas dessa vez seria diferente...  Era a segunda Cerimônia na qual eu era o “Si Fu” recebendo novos membros em minha Família Kung Fu.  Nessa segunda Cerimônia, eu também não estava nervoso. 

In the ceremony that I would access the second level of Ving Tsun, I found myself with 16 years old(photo above). It was a Saturday morning and basically all my family members were present. At the time, the practice of Ving Tsun still counted as a hobby for my parents. This ceremony was within the old  Jacarepagua School and was well filled. I still wore "gliding" hair-cut style,wore  All-Stars snickers and did not feel so nervous so ... However, sixteen years have passed in a flash. I put my white blazer on a hanger not to knead and my bag on the other shoulder. I was wearing black shoes, black trousers and a black "Tong Jong" (traditional Chinese blouse) . Another ceremony would happen, another ceremony in the "Mo Gun" (practice location). But this time would be different ... It was the second ceremony in which I was the "Si Fu" getting new members in my family Kung Fu. In this second ceremony, I also was not nervous.

II Ato Cerimonial da Família Moy Fat Lei
II Ceremonial Act of Moy Fat Lei Family

O dia havia começado com um café-da-manhã entre eu, meu Si Fu e meus irmãos Kung Fu. De lá, fomos para o Mo Gun e eu pude ir com Si Fu em seu carro. Conversamos um pouco e ao chegarmos no prédio, acabamos por passar por um contratempo com um dos funcionários do prédio empresarial no qual o Núcleo Barra está alocado. Foi bem interessante ver como Si Fu lidou com a situação. O “aluno de Kung Fu” em cantonês é chamado “To Daí”. “To Daí” se refere a “alguém que segue”. Seguir um Si Fu , é poder presenciar momentos como esse, nos quais um soco ou um chute não resolveriam, pelo contrário: Poderiam criar um grande problema!  Ao estarmos em momentos assim, temos a chance de aprender, e esses momentos nós chamamos de “Vida Kung Fu”...

The day had started with a breakfast in the morning between me, my Kung Fu brothers and my Si Fu . From there, we went to the Mo Gun and I could go with Si Fu in his car. We talked a bit and get in the building, we ended up spending by a mishap with one of the employees of the business building where his Mo Gun is allocated. It was very interesting to see how Si Fu handled the situation. The "student of Kung Fu" in Cantonese is called "To Dai." "To Dai" refers to "one who follows." Following a Si Fu, it is able to witness moments like this, in which a punch or a kick not solve, on the contrary, could create a big problem! When we watch Si Fu in those moments so we have a chance to learn, and these moments we call "Kung Fu Life" ...
(Foto de Si Fu com sua filha mais nova, a ginasta Julia Camacho num café-da-manhã pouco antes de irmos para uma Cerimônia no novo endereço do Núcleo Copacabana.
 Nesta ocasião ele falou um pouco sobre maneiras de se vestir bem.)

(Photo of Si Fu with his younger daughter, the gymnast Julia Camacho  in a breakfast just before we go for a ceremony at the new address of Copacabana School.
  On this occasion he talked a little about ways to dress well.)

Ao entrar no Mo Gun, fui recebido por alguns de meus To Dai e irmãos Kung Fu. Algumas cadeiras estavam dispostas para que a audiência pudesse se sentar.  Em momentos como esses, eu costumo entender melhor o Kung Fu e coisas de muitos anos que não compreendi na época. Uma semana antes desse evento, Si Fu conversou com meu irmão Kung Fu, Rodrigo Moreira sobre como se vestir , enquanto tomávamos café antes de irmos ao novo endereço do Núcleo Copacabana.
Si Fu disse para Rodrigo, que quando vamos nos arrumar, precisamos levar em consideração três fatores: A circunstância, nosso estilo e o que temos condição de arcar. Si Fu comentou que se colocarmos nosso estilo acima da circunstância, temos muita chance de estarmos inapropriados para o evento em si no final das contas.

Upon entering the Mo Gun, I was greeted by some of my Kung Fu brothers and  To Dai. Some chairs were arranged so that the audience could sit. At times like these, I usually understand better Kung Fu and things from many years before wich I did not understand at the time. A week before this event, Si Fu talked to my Kung Fu brother , Rodrigo Moreira on how to dress, during breakfast before we go to the new address of Copacabana School:
Si Fu told Rodrigo that when we want to dress ourselves, we must take into account three factors: The circumstances, our style and our financial condition. Si Fu said that if we put our style above circumstances, we have little chance of being inappropriate for the event itself in the end.
(Foto de Si Fu com Si Gung nos anos 90 quando Ace of Base e Corona ainda tocavam nas rádios)
(Photo of Si Fu and Si Gung in the 90's , when Ace of Base and Corona 
were still playing on the radio )


Eu sempre vi Si Fu e Si Gung muito bem vestidos em ocasiões como estas. Não estou me referindo a usar roupas caras. Mas sim, estar alinhado , apropriado com a ocasião. E mesmo dentre tantos praticantes, eles conseguiam se sobressair com suas indumentárias.
Si Fu já havia falado sobre isso comigo em outra ocasião: Estávamos tomando sopa numa noite qualquer de 2013 e ele elogiou a roupa que eu usava: “Essa roupa ficou bem em você.” – Si Fu comentou que além do caimento, havia reparado que eu tinha “assumido” a roupa. Ele me chamou a atenção , para o fato de quando vemos alguém com uma super roupa, mas que parece que nem é da pessoa- “É porque a pessoa está usando a roupa mas não assume ela” – Comentou ele.

I always saw Si Fu and Si Gung very well dressed at times like these. I'm not referring to wear expensive clothes. But, they were aligned, appropriate to the occasion. And even among many practitioners, they could stand out with their clothes.
Si Fu had already talked about it with me on another occasion: We were having soup some night of 2013 and he praised the clothes I wore, ". This fits well on you" - Si Fu said that in addition to trim, had noticed that I had "assumed" my clothing. He called my attention to the fact when we see someone with a super outfit, but it seems that is not the person's clothes- "It is because the person is wearing clothes but does not assume it" - he commented.


(Cantando com Si Fu em seu aniversário de 37 anos)
(Singing along with Si Fu during his b-day party in 2006 : 37 years old at the time!)

Eu me peguei pensando muito em qual roupa usar naquela manhã, e acabei saindo para comprar o “Tong Jong” que usava. Usar “Tong Jong” com um blazer por cima, é algo que faço desde 2006, quando pensei em que roupa usar, para cantar no aniversário de Si Fu. Mas naquela época, era só estilo... Dessa vez, sai em direção ao shopping porque levei em conta esses três fatores.  E não consigo dizer se eu era o mais alinhado da sala, mas tão pouco, era alguém que pegou a melhor roupa no armário ou pior: Qualquer roupa passada e vestiu.
No aniversário de Si Gung (termo que usamos para o “Si Fu” do seu “Si Fu”) , lembro que sua esposa, Sra Vanise Imamura a quem nos referimos como "Si Taai". Chamou a atenção para o quão alinhados todos estavam. e fez menção ao fato de ter conhecido todos bem jovens e sem noção de como estar devidamente vestidos para uma determinada ocasião...

I found myself thinking a lot about what clothes to use that morning, and I ended up going out to buy the "Tong Jong" I wore. Use "Tong Jong" with a blazer over it, it is something I do since 2006, when I thought of what to wear, to sing during the birthday party of Si Fu. But at that time, I was only thinking on style ... This time, out into the mall because I took into account these three factors. And I can not tell if I was the more well dressed in the room, but so little was someone who took the best clothes in the closet or worse:  ironed Any clothes and dressed.
On the anniversary of Si Gung (the term we use for "Si Fu" of your "Si Fu"),  his wife, Mrs. Vanise Imamura whom we refer to as "Si Taai", remembered something: She drew attention to how everyone was well dressed. and made mention of the fact of having known everyone there very young and clueless on how to be properly dressed for a particular occasion ...
(Si Fu fala um pouco sobre alguns procedimentos com relação 
à mesa ancestral no Clã Moy Jo Lei Ou)

(Si Fu talks a little about some procedures on the ancestors table in Moy Jo Lei Ou Clan)


A manhã começou com um pequeno bate-papo com Si Fu , no qual ele pôde falar sobre por exemplo, quando oferecemos um "Hung Baau" a alguém , entregarmos com o desejo virado para a pessoa. Da mesma forma, quando colocamos um Hung Baau no recipiente da mesa ancestral, o desejo pode estar virado para a parede ancestral.
"Hung Baau" são envelopes vermelhos com desejos em dourado escritos do lado de fora, no qual em seu interior a pessoa que o oferta deposita uma quantia em dinheiro. O "Hung Baau" na cultura clássica chinesa, simboliza um desejo que você tem para alguém, e o dinheiro, é a forma materializada da sua energia para que o desejo aconteça. Não se tem uma quantia certa para por num Hung Baau. Isso vai de acordo com a circunstância. Mas é sabido que devemos evitar moedas, a menor cédula da moeda corrente e números que terminem em quatro.
Também devemos evitar amassar ou embolar o dinheiro dentro do Hung Baau. Certa vez, Si Fu viu como guardava o meu dinheiro dentro da carteira e me pediu para toma-la em suas mãos. Quando a pegou, retirou todas as cédulas e foi organizando-as : "...Você coloca da maior para a menor, da mais nova para mais antiga..." - Si Fu ao final depositou o dinheiro na carteira novamente e me disse: "...Se você não tratar o dinheiro bem, ele vai embora..."

The morning started with a small chat with Si Fu, in which he could talk about for example,how do  we offer a 'Hung baau " to someone, we give it to with the desire written turned to the person. Similarly, when we put a Hung baau in the ancestral table container, the desire may be facing the ancestral wall.
"Hung baau" are red envelopes with wishes written in golden ideograms on the outside, where inside the person who offer deposit a sum of money. The "Hung baau" in classical Chinese culture symbolizes a desire that you have for someone, and money is the materialized form of its energy to the desire happen. The amount inside a Hung Baau  will according to circumstances. But we know that we should avoid coins, the smallest banknote currency and numbers ending in four.
We must also avoid wrinkling or tangle money within the Hung baau. Once Si Fu saw how I was keeping my money inside my wallet and asked me to take it in his hands. When picked up, he removed all the money and was organizing them: "... You put the largest to smallest, newest to oldest ..." - Si Fu at the end deposited the money in the wallet again and told me : "... If you do not handle money well, it will go away ..."
(Na última visita de Patriarca Moy Yat ao Brasil , na foto ao lado de sua esposa, Sra Helen Moy. Ele se senta numa das cadeiras que compõem o conjunto que hoje é usado para nossa mesa ancertal no Núcleo Barra)

(On the last visit of Patriarch Moy Yat to Brazik, next to his wife in the photo above, Mrs. Helen Moy. He sits in one of the chairs that make up the group that is now used for our ancestor table in the Barra School)



A Cerimônia começou e o primeiro a ser apresentado foi Alan Farias. Alan é mais velho do que eu, natural da Bahia e com passagem por diferentes profissões. Enquanto ouvia a apresentação dele, me sentava na cadeira reservada ao Si Fu do local. Só que eu estava no Mo Gun do meu próprio Si Fu. Isso quer dizer , que eu estava sentado na cadeira dele! Por sua vez, Si Fu sentou-se na cadeira reservada ao Si Gung(Si Fu do Si Fu) daquele Mo Gun.
Para mim foi muito emocionante! Talvez para você que esteja lendo não faça muito sentido, mas uma vez Si Fu me perguntou : "Pereira, sabe qual a diferença entre um ser humano e os outros animais? A nossa capacidade de dar símbolos as coisas. Por exemplo, para um cachorro ou uma tartaruga. Um bife ou uma alface é apenas comida, mas para nós, a gente pode inclusive sair para jantar com alguém para estar junto da pessoa, e não pela comida em si. Compreende isso?"   - Essas palavras me vieram à cabeça enquanto sentava naquela cadeira que já acomodou Patriarca Moy Yat, Grão-Mestre Leo Imamura e o meu próprio Mestre Julio Camacho. E eu , "um moleque", sentado ali. Como podia isso? - Eu posso explicar dizendo que meu Si Fu legitimou isso, então estava tudo bem...

The ceremony started and the first to be presented was Alan Farias. Alan is older than I, a native of Bahia State and passing through different professions. As I listened to the presentation about him, I sat in the chair reserved to Si Fu location. But I was at Mo Gun of my own Si Fu. That is to say, I was sitting in his chair! In turn, Si Fu sat in the chair reserved for Si Gung (Si Fu's Si Fu)of that Mo Gun.
For me it was very exciting! Maybe for you that is reading not make much sense, but once Si Fu questioned me: "Pereira, Do you know the difference between a human and other animals? Our ability to symbols things. For example, for a dog. or a turtle. a steak or a lettuce is just food, but for us, we can even go out to dinner with someone to be with the person, not for the food itself. Do you understand that? " - These words came to mind as I sat in that chair that has welcomed Patriarch Moy Yat, Grand Master Leo Imamura and my own Master Julio Camacho. And I, "just a lad" sitting there. How could it? - I can explain by saying that my Si Fu legitimized it, so it was okay ...
(Si Fu com sua filha mais velha, Jade Camacho, em 2003. Ao fundo a janela onde três anos antes ele conversara comigo pela primeira vez sobre não entrar e sair correndo do Mo Gun.)

(Si Fu with his eldest daughter, Jade Camacho, in 2003. In the background the window where three years before he talked to me for the first about not getting in and out in the Mo Gun just for practice.)

O segundo a ser apresentado foi Thiago Quental. Thiago tem a mesma idade que eu e mora próximo ao Mo Gun do Méier. Sempre que via Thiago chegar no Mo Gun, ele parecia com pressa. Ao final das sessões, isso também acontecia. Nunca perguntei se ele estava de fato com pressa... Mas foi exatamente quando relaxou, que sua entrada na Família se fez...
Certa vez eu estava ainda no Siu Nim Tau, primeiro nível do Sistema Ving Tsun. Era início de 2000, e eu e mais um rapaz que fizera a Cerimônia de Admissão na Família junto comigo, assim como Alan e Thiago, estava de pé comigo diante de Si Fu para nossa prática. Naquele dia porém, Si Fu resolveu fazer algo diferente: Ele pediu que fôssemos executando cada movimento do Siu Nim Tau, enquanto ia falando o nome de cada dispositivo e explicando, através de exemplos lúdicos, seu nome em português e o que significavam. Ao final , ele pediu que nós dois fizessemos o Siu Nim Tau e falássemos o nome e a tradução de cada movimento. Meu irmão Kung Fu não se lembrou, mas eu consegui lembrar de todos e todas as traduções... Ao final, apressadamente me preparei para ir embora. Si Fu me chamou num canto da sala enquanto as outras pessoas praticavam e disse algo como: "Thiago, fiquei bem impressionado hoje com sua capacidade de memorização. Você viu que o rapaz não conseguiu lembrar de tudo, mas sabe... Eu fiquei realmente impressionado porque chinês não é um idioma fácil. Entende?" - Ele fez uma pausa apoiado numa das janelas, de costas pra ela olhando para mim que estava de pé a sua frente e prosseguiu: " ...Por isso que queria que você pensasse melhor sobre poder estar mais no Mo Gun, estar mais junto da Família, porque eu acho que tem potencial pra muita coisa. Mas se você entrar e sair correndo sempre, a gente não consegue explorar isso..."  - É, aquela conversa só surtiria efeito em 2005...

The second to be presented to us was Thiago Quental. Thiago has the same age as me and lives near the Mo Gun of Meier neighborhood. Whenever I saw Thiago arrive at Mo Gun, he seemed in a hurry. At the end of the sessions, this also happened. I never asked if he was really in a hurry ... But he was just as relaxed, his entry in the Family was made ...
Once I was still in Siu Nim Tau, the first level of Ving Tsun. It was early 2000 and I and another boy who had made the admission ceremony in the family with me, as well as Alan and Thiago, was standing with me before Si Fu to our practice. That day however, Si Fu decided to do something different: He asked us to be running every move of Siu Nim Tau, as he spoke the name of each device and explaining, through playful examples, its name in Portuguese and what they meant. At the end, he asked the two of us to do the Siu Nim Tau and we spoke the name and the translation of each movement. My Kung Fu brother did not remember, but I could remember all and all translations ... At the end, hastily prepared to leave. Si Fu called me in the corner while the others practiced and said something like:. "Thiago,I was impressed today with your memory capacity . You see that the guy could not remember everything, but you did ... I was really impressed because Chinese is not an easy language. See? " - He paused supported one of his hands on the windows, back to it looking at me who was standing in front of him and continued: "... So I wanted you to think better about being able to be more in Mo Gun, be more together to the Family, because I think you has potential for much more. But if you come and go away always in a hurry forever, we can not explore it ... ".
(Si Fu entrega a honra de posar para foto comigo e os dois novos membros da Décima Terceira Geração : Thiago Quental, vestindo vermelho. E Alan Farias de pé à direita.)

(Si Fu delivers the honor to pose for picture with me and the two new members of the Thirteenth Generation: Thiago Quental, wearing red and Alan Farias standing on the right..)


Por falar nisso, Si Fu tem falado muito em respeitar o tempo de cada um. Como Si Fu, espero conseguir respeitar o tempo de cada To Dai assim como foram respeitados os meus momentos. Sem abrir mão dos desafios! Mas sem pressionar ninguém!
Essa foi a LV Cerimônia Tradicional do Clã Moy Jo Lei Ou da qual minha Família Kung Fu faz parte. E Alan Farias e Thiago Quental são os dois novos membros da Décima Terceira Geração da Linhagem  Moy Yat. Ambos apresentados por Rodrigo Moreira "Moy Mo Lei" em 30 de Julho de 2016.

By the way, Si Fu has been talking a lot about to respect the time of each person. As a Si Fu, I hope to respect the time of each To Dai as my moments were respected. Without giving up the challenges! But without pushing anyone!
That was the LV Traditional Ceremony of Moy Jo Lei Ou Clan which my Kung Fu Family is part. And Alan Farias and Thiago Quental are the two new members of the Thirteenth Generation of Lineage Moy Yat. Both presented by Rodrigo Moreira "Moy Mo Lei" on 30 July 2016.


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@Gmail.com