sábado, 29 de abril de 2023

BEING SHY AND PRESENTING A PODCAST ABOUT VING TSUN AND KUNG FU

Em 2010 eu saia para correr pelo bairro ouvindo um coach que tinha um canal no Youtube. Eu baixava meus episódios favoritos, convertia  eles em MP3 e ouvia em meu MP3 player. Não se falava muito de “coach” como passou a se falar nos últimos anos, mas eu adorava a energia e a abordagem que o Eric Thomas tinha da vida. Cada episódio, falava de um tema diferente que lhe favoreceria melhorar sua qualidade de vida. E um dos meus episódios favoritos, era o “Show Up”.
Na época eu entendi a importância de “se fazer presente”, para conseguir relevância.  Mais tarde, eu aprenderia o poder da ausência também. 
“Show Up” diz respeito a você se desafiar a aparecer, para ser lembrado. Não me refiro a “querer ser o centro das atenções” num viés negativo, mas sabe aquele jogador de futebol que sempre aparece nos momentos decisivos? Ele não tem medo de convergir as atenções para ele, e por isso se mantém relaxado mesmo com todo o mundo prestando atenção em cada passo que dá. 
Resolvi basear minha carreira também no conceito de “Show Up”. Sempre procurei me fazer presente e expor meu trabalho. Não por gostar de estar em evidencia, mas por entender a importância de se fazer evidente, na comunidade da qual você faz parte. Por outro lado, se você sair para passear comigo e me apresentar seu grupo de amigos, provavelmente você vai me ver a maior parte do tempo calado. É que eu sou muito tímido.

In 2010 I used to jogging around the neighborhood listening to a coach who had a YouTube channel. I would download my favorite episodes, convert them to MP3 and listen on my MP3 player. The term “coach” wasn't talked about as much in recent years, but I loved Eric Thomas' energy and approach to life. Each episode spoke of a different theme that would help you improve your quality of life. And one of my favorite episodes was “Show Up”.
At the time, I understood the importance of “being present”, to achieve relevance. Later, I would learn the power of absence as well.
“Show Up” is about challenging yourself to show up, to be remembered. I don't mean “wanting to be the center of attention” in a negative way, but you know that basketball player who always appears in the decisive moments? He's not afraid to turn attention to him, which is why he stays relaxed even with everyone watching his every step.
I decided to base my career also on the concept of “Show Up”. I've always tried to make myself present and expose my work. Not because I like to be in the spotlight, but because I understand the importance of making yourself evident in the community you are a part of. On the other hand, if you go for a walk with me and introduce me to your group of friends, you'll probably see me mostly silent. It's just that I'm very shy.


Por muitos anos, eu mantenho esse site que já teve diferentes nomes, sendo o mais lembrado por “Blog do Pereira”. Quando percebi que a audiência de fora do Brasil era infinitamente superior, segui a sugestão do meu Mestre de trocar o nome até chegar a este. Acontece que nos últimos anos, resolvi estudar mais a fundo a história de Mestres que começaram com poucos alunos e consolidaram seus trabalhos não só em seus países, mas também além de suas próprias fronteiras. Meu Si Gung, Grão Mestre Leo Imamura, tem dito muito que o profissional que acha que seu público está em seu bairro, está perdido. Com isso, comecei a me debruçar na história do Professor Jigoro Kano e da Kodokan. A partir da história dele, fui conhecendo a de outros expoentes. Pessoas que entregaram a sua vida para a manutenção de um legado para as próximas gerações. E um podcast que me tocou muito com um conteúdo absurdo, foi o “BUDOKAST”. Não só os apresentadores, como os convidados, davam verdadeiras aulas sobre a a vida e obra destes expoentes. Meus episódios favoritos eram os sobre o Kyuzo Mifune, Shiro Saigo e um sobre Kyudo. Conforme os escutava, mais inspirado eu ficava a fazer um trabalho parecido, focado nas artes chinesas. Um podcast sem piadinhas, sem bricadeiras ou comportamento infantil. Seriam conversas sérias, sobre assuntos sérios. Assuntos, como disse acima, que pessoas dedicam a vida a aperfeiçoar. E por isso, merecem respeito. 

For many years, I maintain this site that has had different names, the most remembered being “Blog do Pereira”. When I realized that the audience outside Brazil was infinitely superior, I followed my Master's suggestion to change the name until I reached this one. It so happened that in recent years, I decided to study more deeply the history of Masters who started their carreers with just a few students and consolidated their work not only in their countries, but also beyond their own borders. My Si Gung, Grand Master Leo Imamura, has said a lot that the professional who thinks his public is in his neighborhood is lost. With that, I began to delve into the history of Professor Jigoro Kano and the Kodokan. From his story, I got to know that of other exponents. People who gave their lives to maintain a legacy for future generations. And a podcast that touched me a lot with absurd content was “BUDOKAST”. Not only the presenters, but also the guests, gave real lessons about the life and work of these exponents. My favorite episodes were the ones about Kyuzo Mifune, Shiro Saigo and one about Kyudo. As I listened to them, the more inspired I was to do similar work, focused on Chinese arts. A podcast without jokes or childish behavior. Would be serious conversations, about serious matters. Matters, as I said above, that people dedicate their lives to perfection. And for that, they deserve respect.
Foi então que decidi convidar meu irmão Kung Fu Thiago Silva[foto a esq] para colocar esse projeto em prática. Depois, convidamos nosso irmão Kung Fu Rodrigo Moreira[foto a dir]. Por fim, chamei meu aluno Daniel Eustáquio para ajudar nos bastidores. 
Já havia recebido pedido de alunos para fazer algo parecido, mas foi num almoço no Norte Shopping, na Zona Norte do Rio que ao ter essa ideia sugerida mais uma vez por um querido aluno achei que era o momento de colocar para funcionar. Então em pouco tempo já estamos no ar com episódios em ingles e portugues no Spotify e Youtube. 
Quando eu estou entre pessoas que acabei de conhecer, eu fico calado, porque não há em mim um propósito que me motive a ir além da minha timidez. Quando eu escrevo ou falo em público sobre o Ving Tsun, existe um trabalho a ser feito. Quero poder deixar uma marca a fim de que os alunos das gerações futuras possam se orgulhar e aprender. E fazendo isso, naturalmente laços vão sendo criados com pessoas do Brasil e do mundo, que fazem parte da comunidade marcial. 
Então acredito que o conceito do “Show Up”, necessita de propósito.

It was then that I decided to invite my Kung Fu brother Thiago Silva[photo left] to put this project into practice. Afterwards, we invited our Kung Fu brother Rodrigo Moreira [picture at right]. Finally, I called my student Daniel Eustáquio to help behind the scenes.
I had already received requests from students to do something similar, but it was just at some given lunch at Norte Shopping Mall, in the North Zone of Rio that when I had this idea suggested once again by a dear student, I thought it was time to put it to work. So in a short time we are already on air with episodes in English and Portuguese on Spotify and Youtube.
When I'm around people I've just met, I keep quiet, because there's no purpose in me that motivates me to go beyond my shyness. When I write or speak publicly about Ving Tsun, there is work to be done. I want to be able to leave a mark so that students of future generations can be proud and learn from. And by doing so, naturally bonds are created with people from Brazil and the world, who are part of the martial community.
So I believe that the concept of the “Show Up” needs a purpose.


Links

Vida Kung Fu 
[Nosso podcast em português e com episódios em ingles] 
clique AQUI


A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com.








 

quinta-feira, 27 de abril de 2023

I think Ving Tsun doesn't work for me... - An essay

 

Em algum momento, talvez você já tenha dito a si mesmo - “Ei!Acho que o Ving Tsun não funciona para mim... ” -  Essa dúvida chega, porque aquela razão inicial que nos motivou a fazer contato e depois fazer a matrícula, acaba nos tomando de assalto em um fim de tarde qualquer - “Se eu precisasse, eu conseguiria me defender?” - Nesse momento você não encontra uma resposta muito clara. Se você for mais curioso, você pergunta a um Si Hing , se você for mais pessimista, você se convence de que não conseguiria. E eu? O que eu fazia nessas horas?
Poucas pessoas lutaram tanto quanto eu...Poucas pessoas passaram por tantas lutas de vida ou morte quanto eu... Todas elas ocorriam quando eu estava voltando da faculdade, com a cabeça encostada no vidro do ônibus que levava de 45 minutos a uma hora para chegar ao meu destino. Eu imaginava as lutas mais incríveis acontecendo, sempre ao som da música que estava ouvindo em meu Discman. Claro! Sempre ganhei todas! 
Na época, eu já havia tido acesso a todo o Domínio Mui Fa Jong, que é quando se trabalha com o “boneco de madeira”... Eu tinha vinte e um anos de idade, e estava fazendo um processo apenas de “Maai Sang Jong”. Porém, alguns anos antes, minhas dúvidas eram muitas e eu quase desisti...

At some point, maybe you've already said to yourself - "Hey! I think Ving Tsun doesn't work for me..." - This doubt arrives, because that initial reason that motivated us to make contact and then enroll, ends up taking us by storm on a random afternoon - “If I needed to, would I be able to defend myself?” - At this moment you don't find a very clear answer. If you are more curious, you ask a Si Hing, if you are more pessimistic, you convince yourself that you couldn't. And me? What did I do in those hours?
Few people fought as much as I did... Few people went through as many life and death fights as I did... They all occurred when I was returning from college, with my head against the window of the bus that took from 45 minutes to an hour to reach my destination. I imagined the most incredible fights happening, always to the sound of the music I was listening to on my Discman. Of course! I always won them all!
At the time, I had already had access to the entire Mui Fa Jong Domain, which is when you work with the “wooden dummy”... I was twenty-one years old, and I was only practicing weekly  “Maai Sang Jong”. However, a few years before, my doubts were many and I almost gave up...


Essa era a visão que eu tinha quando abria a porta do Mo Gun aos dezesseis anos de idade[FOTO ACIMA], tentando passar com minha bicicleta, minha mochila, com meus fones de ouvido caindo... Eu deixava minha bicicleta presa no descanso da escada... Sempre me perguntava porque estava ali. Eu não entendia para que servia o “Chi Sau”, não achava que estava ficando “bom de briga”, tinha sérias dúvidas sobre o que estava de fato aprendendo, e geralmente quando chegava, estavam todos fazendo alguma atividade que quase sempre não tinha muito a ver com prática. 
Eu trocava de roupa, e sentava próximo ao boneco de madeira sozinho para ler algum mangá enquanto minha aula não começava. A Si Suk Ursula aparecia e perguntava - “Thiago...A gente tá conversando lá atrás, você não quer ficar com a gente lá?” - Ela sempre me convidava mas eu nunca aceitava, apesar disso ela continuava convidando - “Eu vou ficar aqui mesmo.” - Respondia. E logo depois aparecia alguém para me dar aula.

This was the vision I had when I used to arrive at the door of the Mo Gun at the age of sixteen [PHOTO ABOVE], trying to pass with my bike, my backpack, with my headphones falling... stairs... I always wondered why I was there. I didn't understand what the "Chi Sau" was for, I didn't think I was getting "good at fighting", I had serious doubts about what I was actually learning, and usually when it arrived, everyone was doing some activity that almost always didn't have much to do. to do with practice.
I would change clothes, and sit next to the wooden doll by myself to read some manga while my class didn't start. Si Suk Ursula would appear and ask - "Thiago... We're talking back there, don't you want to stay with us there?" - She always invited me but I never accepted, despite that she kept inviting - "I'm staying right here." -I would answer And soon after someone showed up to teach me.
[Sentei-me com minha mãe nessas cadeiras quando fiz minha matrícula]
[I sat with my mother in these chairs when I enrolled]

]Naquela época teve uma atividade no curso de ingles em que você precisava falar o seu Hobby, e eu disse que praticava Kung Fu. Uma menina me perguntou a quanto tempo eu praticava e eu respondi que já estava praticando por dois anos. A turma toda se espantou... Acho que era estranho alguém fazer a mesma coisa por dois anos sem parar. Por dentro, eu tinha um sentimento estranho, de que minha habilidade não condizia ao tempo que estava praticando. Mesmo indo duas vezes na semana. O que era mais estranho, é que mesmo não sendo tão ligado a Si Suk Ursula quanto sou hoje, naquela época eu já tinha uma profunda admiração pelo Si Suk André Cardoso e claro, pelo Si Fu. 
Em vários momentos eu não entrava no Mo Gun, passava direto com minha bicicleta e preferia ir jogar bola, pois não via progresso e seguia com a mesma pergunta no coração - “Se eu precisasse, eu conseguiria me defender?” - E seguia pedalando pelo bairro do Tanque. Porém, enquanto me afastava, me sentia por alguma razão misteriosa, falhando com aquele cara legal que viria a ser meu Si Fu um dia. Além disso, o Si Fu era muito habilidoso e não fazia sentido a habilidade dele vir do “Chi Sau”.

At that time, there was an activity in the English language course in which you needed to speak your Hobby, and I said that I was practicing Kung Fu. A girl asked me how long I had been practicing and I replied that I had been practicing for two years. The whole class was amazed... I think it was strange for someone to do the same thing for two years without stopping. Inside, I had a strange feeling that my skill didn't match the time I was practicing. Even going twice a week. What was weirder, is that even though I wasn't as linked to Si Suk Ursula as I am today at that time, I already had a deep admiration for Si Suk André Cardoso and of course, for Si Fu.
At various times I did not enter the Mo Gun, I passed by with my bicycle and preferred to go play soccer, as I did not see progress and continued with the same question in my heart - “If I needed to, would I be able to defend myself?” - And I kept pedaling through the Tanque neighborhood. However, as I walked away, I felt, for some mysterious reason, failing with that nice guy who would one day become my Si Fu. In addition, Si Fu was very skilled and it made no sense for his skill to come from "Chi Sau"

Dois anos depois, eu seguia sem saber do que era realmente capaz. Porém, a prática constante do “Maai Sang Jong”, me fez chegar a uma conclusão - “Eu acho que não evolui nada, mas eu vou partir pra cima mesmo assim.”- Já estava praticando Ving Tsun por cinco anos ininterruptos, e em um belo dia o Si Suk Felipe Soares entrou com uma palma tão perfeita na minha testa durante um “Maai Sang Jong”, que antes dele retirar a mão eu já estava chorando. Eu estava de capacete, e foi um super golpe. Eu joguei o capacete no chão e sai chorando até o banheiro. Em parte, não conseguia entender como o Si Suk Felipe tinha ficado tão bom e eu não tinha percebido. Ele vinha ajudando nas atividades do Mo Gun e participando de coisas que para mim eram distrações do que importava de fato que era a prática. 
Quando sai do banheiro, o pessoal seguiu praticando e havia uma cadeira com um copo de água em cima ao lado do Si Fu. Sentei ao lado dele, cruzei os tornozelos, encolhi os ombros e fiquei bebendo água como uma criança. Uma coisa então passou pela minha cabeça - “Talvez o Ving Tsun não funcione para mim...

Two years later, I still didn't know what I was really capable of. However, the constant practice of "Maai Sang Jong", made me come to a conclusion - "I think nothing evolves, but I'm going to go for it anyway."- I had already been practicing Ving Tsun for five uninterrupted years, and on any given beautiful day, Si Suk Felipe Soares entered with such a perfect palm on my forehead during a "Maai Sang Jong", that before he removed his hand I was already crying. I was wearing a helmet, and it was a super hit. I threw the helmet on the floor and went crying to the bathroom. Partly, I couldn't understand how Si Suk Felipe had gotten so good and I hadn't noticed. He had been helping with Mo Gun activities and participating in things that for me were distractions from what really mattered, which was practice.
When I left the bathroom, the other people continued practicing and there was a chair with a glass of water on top next to Si Fu. I sat beside him, crossed my ankles, shrugged my shoulders and drank water like a child. One thing then crossed my mind - "Maybe Ving Tsun doesn't work for me..."
[Depois de deixar minha bicicleta na escada, passava por debaixo desse quadro.
Quase vinte anos depois, ele iria ornamentar o Mo Gun da minha própria Família Kung Fu]

[After leaving my bike on the stairs, I passed under this painting.
Nearly twenty years later, it would grace my own Kung Fu Family's Mo Gun]

Com o tempo, fui me envolvendo em outras atividades que ocorriam no Mo Gun e na Família Kung Fu. Devido a uma sorte muito grande que me acompanha, acontecimentos foram se sucedendo e eu fui sendo reconhecido pelos meus pares. Por vezes, recebia congratulações por um vídeo que tinha feito, outras vezes, por uma postagem nesse site, mas lá no fundo, depois de todos aqueles anos, uma pergunta permanecia - “Se eu precisasse, eu conseguiria me defender?” - Essa pergunta me acompanhava, porque eu não conseguia associar a habilidade que estava desenvolvendo em outras áreas e as primeiras conquistas que eu tinha, com a habilidade de luta que sempre almejei. - “Se você ficar bom na Vida-Kung Fu, você fica bom na parte técnica. Eu não tenho dúvidas sobre isso. O contrário porém, não acontece” - Teria dito Si Fu. 

Over time, I got involved in other activities that took place in the Mo Gun and in the Kung Fu Family. Due to a very great luck that accompanies me, events followed one another and I was recognized by my peers. Sometimes I received congratulations for a video I had made, other times for a post on this site, but deep down, after all these years, one question remained - "If I needed to, would I be able to defend myself?" - This question followed me, because I couldn't associate the ability I was developing in other areas and the first conquests I had, with the fighting ability I always wanted. - “If you get good at Kung Fu Life, you get good at the technical part. I have no doubts about that. However, the opposite does not happen” - Si Fu would have said.
[O dia do meu Baai Si]
[The day of my Baai Si]

Você deve estar querendo saber se eu ainda me faço a mesma pergunta, certo? Ela sempre está por ali, em algum lugar do coração, tentando fazer eu duvidar do que consigo ou não fazer. E talvez por isso, eu seja tão fã da formalidade. Porque quando o “humano” fica com dúvidas, o “compromisso” sustenta. Nós assumimos um compromisso em nos organizar para receber o que o Si Fu tem para entregar. Não é uma tarefa fácil, todos nós temos demônios internos que surgem para atrapalhar nossa trajetória. Depois de um tempo, eu entendi que seria uma falta de consideração com o que me foi dado, não acreditar em seu potencial. Existe uma diferença entre alguém lhe entregar algo, você ser capaz de receber e, fazer algo com o que tiver recebido. Não posso aceitar a possibilidade de não fazer funcionar o que aprendi nas mais diferentes circunstancias. E apesar do Si Fu sempre me dar uma bronca sobre isso, eu acredito sim que me comparar com alguém com maior excelência, me ajuda a ir além. 
Se eu ainda acho que o Ving Tsun não funciona para mim? Bom, eu faço funcionar e caso não funcione, eu pago o preço.

You must be wondering if I still ask myself the same question, right? This question is always there, somewhere in my heart, trying to make me doubt what I can or can't do. And maybe that's why I'm such a fan of formality. Because when the “human” has doubts, the “commitment” sustains. We make a commitment to organize ourselves to receive what Si Fu has to deliver. It's not an easy task, we all have internal demons that arise to get in the way of our trajectory. After a while, I understood that it would be a lack of consideration for what I was given, not believing in its potential. There is a difference between someone giving you something, you being able to receive it, and doing something with what you have received. I cannot accept the possibility of not making what I learned work in the most different circumstances. And although Si Fu always scolds me about it, I do believe that comparing myself to someone with greater excellence helps me to go further.
If I still think that Ving Tsun doesn't work for me? Well, I make it work and if it doesn't work, I pay the price.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com.









quarta-feira, 26 de abril de 2023

VISIT BY MASTER FABIO GOMES TO MYVT MEIER SCHOOL


Ontem, tive o prazer de passar a tarde com o Mestre Fabio Gomes[FOTO]. Este discípulo do Grão Mestre Leo Imamura, meu Si Gung,  resolveu tomar para si o desafio de adaptar a lógica do Sistema Ving Tsun as necessidades de Forças de Operações Especiais.
Segundo suas próprias palavras, ele sempre teve uma admiração pelo trabalho desempenhado por estas unidades de elite. No ano de 1999 o 1° Batalhão de Forças Especiais do Exército Brasileiro (unidade militar composta por Combatentes Comandos e Operadores de Forças Especiais) ainda era localizado no Camboatá, na cidade do Rio de Janeiro, região próxima a uma residência sua. Na época, passando de carro em frente a esta unidade militar, teria lhe passado pela cabeça a seguinte pergunta: “Por que não tentar desenvolver um trabalho com o Ving Tsun na área de segurança, a começar pelo 1° Batalhão de Forças Especiais?

Yesterday, I had the pleasure of spending the afternoon with Master Fabio Gomes[PHOTO]. This disciple of Grand Master Leo Imamura, my Si Gung, decided to take on the challenge of adapting the logic of the Ving Tsun System to the needs of Special Operations Forces of Brazil.
In his own words, he always had an admiration for the work performed by these elite units. In 1999, the 1st Battalion of Special Forces of the Brazilian Army (military unit composed of Combatants and Special Forces Operators) was still located in Camboatá, in the city of Rio de Janeiro, a region close to one of his residences. At the time, driving by this military unit, the following question would have crossed his mind: “Why not try to develop work with Ving Tsun in the security area, starting with the 1st Battalion of Special Forces?

Na tarde de ontem, tive a boa surpresa de receber no Mo Gun da minha Família Kung Fu, meu Si Suk Fabio Gomes. Junto dele estava o Fabricio, que aproveitou a oportunidade para fazer uma aula experimental com meu aluno Daniel Eustáquio[FOTO]. 
Pude conversar com o Si Suk Fabio Gomes por mais de uma hora, sobre muitos temas de interesse comum, e desta conversa surgiu uma possibilidade muito especial de projeto. A ideia partiu espontaneamente dele, a partir do trabalho que venho desenvolvendo com o Thiago Silva em nosso Podcast “Vida-Kung Fu” com seus dois programas: O homônimo em portugues “Vida Kung Fu”, e o programa totalmente em ingles de nome “Kung Fu Coffee Break”[ambos já no SPOTIFY] 
Hoje pela manhã acordei com a mensagem de que o projeto estava confirmado!
Além disso, me foi possível conhecer um pouco mais do Mestre Fabio Gomes e de momentos de sua trajetória como discípulo de seu Mestre Leo Imamura, e também como contemporâneo de meu Mestre Julio Camacho. Aproveitei a oportunidade para perguntar sobre a lendária viagem dos dois com Si Gung ao Kentucky nos anos '90 e sobre a viagem dos dois com o Si Suk Marcello Abreu a Fatsan e Hong Kong em 2006. Encerramos a tarde com um café espresso no já tradicional Café Zoro do Sr Roberto, que fica em nosso bairro.

Yesterday afternoon, I had the good surprise of receiving my Si Suk Fabio Gomes at the Mo Gun of my Kung Fu Family. With him was Fabricio, who took the opportunity to do an experimental class with my student Daniel Eustáquio[PHOTO].
I was able to talk with Si Suk Fabio Gomes for more than an hour, about many topics of common interest, and from this conversation a very special project possibility arose. The idea came spontaneously from him, from the work I have been developing with Thiago Silva on our Podcast “Vida-Kung Fu” with its two programs: The homonym in Portuguese “Vida Kung Fu”, and the program totally in English called “ Kung Fu Coffee Break”[Both already on SPOTIFY]
This morning I woke up with the message that the project was confirmed!
In addition, it was possible for me to get to know a little more about Master Fabio Gomes and moments of his trajectory as a disciple of his Master Leo Imamura, and also as a contemporary of my Master Julio Camacho. I took the opportunity to ask about their legendary trip with Si Gung to Kentucky in the '90s and about their trip with Si Suk Marcello Abreu to Fatsan and Hong Kong in 2006. We ended the afternoon with an espresso in the already traditional Mr Roberto's Café Zoro, which is in our neighborhood.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com.






terça-feira, 25 de abril de 2023

GM LEO IMAMURA: STUDY OF GENEALOGY



Existe uma diferença grande entre uma modalidade de luta, e um Sistema que porta o potencial de levar o praticante a uma melhor compreensão sobre quem ele é, e sua conduta no mundo em que vive. Sua tomada de consciência não se dá por um estado meditativo em posição estacionária com toda a ambiência sem perturbações, ou através da fala de alguém. Esse processo se dá por um cultivo advindo da dedicação. O que ocorre, é que por vezes temos práticas precárias, executadas muito bem, por pessoas extremamente habilidosas. Por outro lado, este tipo de cenário nos proporciona a reflexão sobre o quanto estamos nos dedicando com afinco a explorar aquilo que estamos tendo acesso. Pois caso contrário, seremos praticantes medíocres diante de um Sistema excelente como o Ving Tsun.
Costumo pensar que não há nada que um praticante possa viver em sua jornada, que algum ancestral de sua árvore genealógica, vivo ou morto, já não tenha vivenciado. 

There is a big difference between a fighting modality, and a System that has the potential to lead the practitioner to a better understanding of who he is, and his conduct in the world in which he lives. Your awareness does not come from a meditative state in a stationary position with all the undisturbed ambience, or through someone's speech. This process takes place through a cultivation resulting from dedication. What happens is that sometimes we have precarious practices, performed very well, by extremely skilled people. On the other hand, this type of scenario allows us to reflect on how hard we are dedicating ourselves to exploring what we are having access to. Otherwise, we will be mediocre practitioners before an excellent system like Ving Tsun.
I tend to think that there is nothing that a practitioner can experience on their journey, that some ancestor of their family tree, living or dead, has not already experienced.


 A pergunta que alguém desatento pode vir a fazer é: “Como o Estudo da minha Linhagem, pode me ajudar a ser um lutador melhor?”. 
Estou participando[mais uma vez], de um Estudo Genealógico com o Grão Mestre Leo Imamura, meu Si Gung. E não é qualquer estudo... É um estudo de nível básico. Muita gente associa minhas participações constantes nesse tipo de atividade, com meu gosto pessoal por Genalogia... De fato, esse ano completo treze anos que não jogo futebol como lazer. O que era para ser um momento para aliviar o estresse da semana, passou a ser uma atividade com uma competição tão exacerbada, que acabava por conter inclusive xingamentos. Achei que ganharia mais, fazendo duas coisas que gosto: Me envolver mais com atividades da Família Kung Fu nos finais de semana, e sair para patinar ouvindo uma boa música. 
Apesar disso, como profissional, sempre vi a necessidade de avançar em busca de mais conhecimento a fim de me municiar e ter melhores condições de abordar, compartilhar e orientar meus alunos, com mais eficiência. Nesse processo, muitas dúvidas conceituais que um aluno me trouxe, pude responder baseando-me no que havia escutado a respeito dos ancestrais. Ao citar o que entendi de determinado acontecimento, que coincidia com a situação, o aluno percebia que havia algo maior do que eu que embasava o que dizia. 

The question that someone inattentive might ask is: “How can the Study of my Lineage help me to be a better fighter?”.
I am participating [once again] in a Genealogical Study with Grand Master Leo Imamura, my Si Gung. And it's not just any study... It's a basic level study. Many people associate my constant participation in this type of activity with my personal taste for genealogy... In fact, this year marks the thirteenth year that I haven't played soccer as a leisure activity. What was supposed to be a moment to relieve the stress of the week, became an activity with such exacerbated competition that it ended up containing even cursing. I thought I would earn more by doing two things I like: Getting more involved with Kung Fu Family activities on the weekends, and going out roller-skating listening to good music.
Despite this, as a professional, I have always seen the need to advance in search of more knowledge in order to equip myself with better conditions to approach, share and guide my students more efficiently. In this process, many conceptual doubts that a student brought me, I was able to answer based on what I had heard about the ancestors. When citing what I understood of a certain event, which coincided with the situation, the student realized that there was something greater than me that supported what he said.

Muita gente achava que o grupo “Commodores” estava acabado depois da saída de Lionel Richie em 1982. Acontece que três anos depois eles lançaram uma canção maravilhosamente bem produzida e executada chamada “Nighshift”.  Dez anos antes, Bruce Springsteen pediu para regravar uma das canções de seu novo disco por 289 vezes  para seu lendário álbum “Born To Run” de 1975. Consegue imaginar o nível de excelência que ele estava buscando? Apesar disso no ano passado, 40 anos após Lionel Richie deixar os Commodores, o super exigente Springsteen regravou a canção “Nightshift”.
Com esse tipo de exemplo, entendo que devemos sempre buscar a excelência em tudo o que fazemos e nos mantermos próximos de pessoas que estão nessa mesma busca. Desta maneira, outras pessoas que buscam esse estado de excelência poderão reconhece-la em nós também, assim como Springsteen a reconheceu na canção dos Commodores de 1985. Portanto, independente da nossa antiguidade e dos nossos títulos, é fundamental que continuemos estudando o Sistema Ving Tsun. 
Eu achava que minha intenção de sempre estar em todos os seminários possíveis, era uma questão de insegurança com o que era capaz de fazer, mas ouvi de Si Gung nos últimos meses sobre a importância de se buscar uma “rede de apoio” para que o conhecimento chegue até nós. Com isso, não limitamos nossos descendentes apenas ao que sabemos, mas usamos outras mentes poderosas, para agregar nesse processo. 

Many people thought that the "Commodores" group was finished after Lionel Richie left in 1982. It turns out that three years later they released a wonderfully produced and performed song called "Nighshift". Ten years earlier, Bruce Springsteen asked to record one of his song  289 times for his legendary 1975 album “Born To Run”. Can you imagine the level of excellence he was aiming for? Yet last year, 40 years after Lionel Richie left the Commodores,  Springsteen covered the song "Nightshift."
With this kind of example, I understand that we must always seek excellence in everything we do and stay close to people who are in that same search. In this way, other people who seek this state of excellence will be able to recognize it in us too, just as Springsteen recognized it in the Commodores song of 1985. Therefore, regardless of our seniority and our titles, it is essential that we continue to study the Ving System Tsun.
I thought that my intention to always be in all possible seminars was a matter of insecurity with what I was capable of doing, but I heard from Si Gung in recent months about the importance of seeking a "support network" so that the knowledge come to us. With that, we don't limit our descendants only to what we know, but we use other powerful minds to add to this process.


Tem sido uma experiência muito recompensadora fazer parte desses grupos de estudo do Programa Moy Yat Ving Tsun desde a época do Lockdown. Todos tem sido muito pacientes com minhas dúvidas, principalmente o Si Gung. Existe um ambiente de respeito muito grande - “...Temos aqui o Mestre Pereira com a 'mão levantada' . Pois não, Mestre Pereira. Boa noite!” - Costuma dizer Si Gung nesses encontros por ZOOM. Nessas horas eu lembro do Si Fu: Certa vez, sem saber como conduzir uma conversa muito séria com um aluno bem mais velho do que eu, ele teria dito: “Trate-o como adulto e trate-se como adulto”. - Então mesmo o Si Gung tendo me conhecido com 14 para 15 anos de idade, ser chamado de “Mestre Pereira”, me lembra sempre da importância de tratar a mim mesmo como um adulto. E um adulto que é profissional, nunca para de estudar.

It has been a very rewarding experience to be part of these Moy Yat Ving Tsun Program study groups since the time of the Lockdown. Everyone has been very patient with my doubts, especially Si Gung. There is an atmosphere of great respect - “...We have Master Pereira here with his 'hand raised'. So, Master Pereira. Goodnight!" -Si Gung usually says  in these ZOOM meetings. At these times I remember Si Fu: Once, not knowing how to conduct a very serious conversation with a student much older than me, he would have said: "Treat him like an adult and treat yourself like an adult". - So even though Si Gung met me when I was 14 to 15 years old, being called as “Master Pereira”, always reminds me of the importance of treating myself like an adult. And an adult who is a professional never stops studying.

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com.

 

domingo, 9 de abril de 2023

An afternoon with the Moy Lin Mah Family

 

Dizem que aviões são uma metáfora da vida, pois deixam claro o quanto nós não temos controle sobre as coisas. Você apenas está ali sentado, e nada pode fazer até que o avião pouse. Então no dia seguinte meus alunos iriam me buscar as 5am em direção ao aeroporto, pois viajaríamos para Brasília por ocasião da celebração dos 60 anos do Si Gung. Quem me conhece, sabe o quanto não gosto de voar. Por isso que aquele final de tarde para mim, também era a véspera de colocar em prática tudo o que estudei sobre aviação em 2022. Como quase fui para os EUA em Novembro, comprei livros e assisti programas sobre o tema, para que quando estivesse dentro do avião, o esclarecimento sobre como ele funciona me liberasse da necessidade de focar, concentrar, e administrar emoções até que o avião pousasse, como precisei fazer em todas as viagens até aquele momento... 
Sentado ali como convidado para formar uma “banca avaliadora” de uma Cerimonia de formação de novos tutores da Família Moy Lin Mah, me percebi de volta ao momento presente. Si Suk Ursula estava ali em sua cadeira ao lado da mesa ancestral, Si Suk Ricardo Queiroz estava sentado ao meu lado, existiam alguns rostos conhecidos como a Angela que aparecia em um telão desde Portugal, e outros que nunca tinha visto. Eu não sabia muito bem a melhor maneira de fazer o que me pediram, pois me senti em uma posição estranha em ter que avaliar o recorte de um trabalho muito maior.

They say that planes are a metaphor for life, as they make it clear how much we have no control over things. You're just sitting there, and there's nothing you can do until the plane lands. So the next day my students would pick me up at 5am towards the airport, as we would travel to Brasilia on the occasion of Si Gung's 60th birthday celebration. Anyone who knows me knows how much I don't like flying. That's why that late afternoon for me was also the eve of putting into practice everything I studied about aviation in 2022. As I almost went to the US in last November, I bought books and watched programs on the subject, so that when I was inside of the plane, the clarification about how it works freed me from the need to focus, concentrate, and manage emotions until the plane landed, as I had to do on all trips up to that moment...
Sitting there as a guest to form an “examination board” of a Ceremony for the formation of new tutors of the Moy Lin Mah Family, I found myself back in the present moment. Si Suk Ursula was there in her chair next to the ancestral table, Si Suk Ricardo Queiroz was sitting next to me, there were some familiar faces like Angela who appeared on a big screen from Portugal, and others that I had never seen. I didn't quite know the best way to do what I was asked for, as I felt in an awkward position having to assess the cut of a much larger job.
[Helena e Fernanda durante a Cerimonia para novos tutores]
[Helena and Fernanda during the Ceremony for new tutors]

Entre o avião que eu precisava pegar no dia seguinte, e a avaliação que eu precisava fazer naquele momento, me perguntava:  “Cara, como eu vou avaliar o trabalho da minha Si Suk? Pior que provavelmente eu vou ser o primeiro...” - Então apesar de estar sendo apresentado hora como “Si Hing Pereira”, hora como “Mestre Pereira”, também pensei no “discípulo do Si Baak Julio Camacho”. Esta também foi uma maneira pela qual se referiram a mim: “O que o Si Fu faria? Provavelmente ele teria algo legal e divertido pra dizer.... ” -  Foi então que pensando nele, comecei a mudar meu foco das técnicas e conteúdos, para “questões menos evidentes”. Por isso, quando a palavra foi passada a mim, não tive dúvidas em falar de coisas como: A roupa apropriada para participar daquela cerimonia que envolvia tanta parte prática e também da conduta apropriada durante as demonstrações, para que se favorecesse o que queriam mostrar...  Com isso, acho que pude contribuir sem avaliar a parte técnica em si.

Between the flight I needed to catch the next day, and the evaluation I needed to do at that moment, I asked myself: “Man, how am I going to exam my Si Suk's work? Worse than that, I'll probably be the first...” - So, despite being presented sometimes as “Si Hing Pereira”, sometimes as “Master Pereira”, I also thought of “disciple of Si Baaak Julio Camacho”. This was also a way in which they referred to me: “What would Si Fu do? He would probably have something nice and fun to say.... " - It was then that thinking about him, I started to change my focus from techniques and content to "less obvious issues". Therefore, when the floor was passed to me, I had no hesitation in talking about things like: The appropriate clothing to participate in that ceremony that involved so much practical part and also the appropriate conduct during the demonstrations, so that what they wanted to show was favored. .. With that, I think I was able to contribute without evaluating the technical part itself.
Bem diferente de aviões, eu adoro crianças, então foi muito divertido ter ali a presença da filha da Fernanda[foto]. O Si Suk Ricardo tirou algumas fotos da Fernanda fazendo os procedimentos cerimoniais com a filha, e comentou sobre o quão especial aquelas cenas eram, pois nunca havia presenciado nada parecido. De minha parte, eu estava sempre olhando para a Angela no telão. Ela que é mãe da Fernanda, parecia sempre abrir um sorriso quando as duas apareciam em sua tela. 

Very different from airplanes, I love children, so it was really fun to have Fernanda's daughter there [photo]. Si Suk Ricardo took some pictures of Fernanda doing the ceremonial procedures with her daughter, and commented on how special those scenes were, as he had never witnessed anything like it. For my part, I was always looking at Angela on the screen. She, who is Fernanda's mother, always seemed to open a smile when the two appeared on her screen.
Na condição de testemunha honorável da Cerimonia que se deu depois, resolvi mudar de estratégia. Como sabia que o Si Suk Ricardo teria uma perspectiva muito aprofundada e inteligente, resolvi fazer considerações com um ar mais anedótico. Tudo o que disse era de verdade, mas me aproveitei do que vi e ouvi dos acessantes naquela tarde, para fazer as considerações da maneira mais divertida possível. Acho que consegui. Também recebi muitos envelopes vermelhos naquele dia[FOTO]. Sabe, eu presto bastante atenção no que está escrito nesses envelopes quando me entregam. Meu Si Fu costuma dizer que o mais importante é o desejo e não o que vai dentro. Com isso, você pode perceber quem lembrou do Hung Baau na última hora, quem não personalizou o desejo, quem fez o envelope sem consultar um Si Hing... Porém, sempre tem um desejo ou dois que me colocam pra refletir... São desejos que são muito afins com o momento ou desafio que estou vivendo. Nessas horas, eu abro um leve sorriso, e procuro internalizar o que desejaram para mim... 

As an honorable witness to the Ceremony that followed, I decided to change my strategy. As I knew that Si Suk Ricardo would have a very in-depth and intelligent perspective, I decided to make considerations with a more anecdotal air. Everything I said was true, but I took advantage of what I saw and heard from accessors that afternoon, to make the considerations as fun as possible. I think I got it. I also received many red envelopes that day[PHOTO]. You know, I pay close attention to what's written on those envelopes when they give them to me. My Si Fu used to say that the most important thing is the desire and not what goes inside. With this, you can see who remembered the Hung Baau in the last hour, who didn't customize the wish, who made the envelope without consulting a Si Hing... However, there's always a wish or two that make me reflect... They are desires that are very similar to the moment or challenge I am experiencing. At these times, I open a slight smile, and try to internalize what they wanted for me...

Também estava atento a minha Si Suk Ursula. Depois de mais de um ano vivendo em outro país, para ela também estava sendo uma oportunidade de reconhecer o quanto sua Família Kung Fu havia amadurecido neste período. Em muitos momentos, bastou o meu Si Fu me olhar mais sério sem dizer uma palavra, para que eu pudesse sentir a gravidade da situação... A distancia, detalhes sutis como esses se tornam mais desafiadores de serem vividos. Porém, todas as falas e demonstrações foram maravilhosas, e mostraram que o trabalho segue como nunca antes. Foi um final de tarde e início de noite maravilhosos...

I was also attentive to my Si Suk Ursula. After more than a year living in another country, it was also an opportunity for her to recognize how much her Kung Fu Family had matured during this period. In many moments, my Si Fu just looked at me more seriously without saying a word, So I could feel the gravity of the situation... From a distance, subtle details like these become more challenging to be experienced. However, all the speeches and demonstrations were wonderful, and showed that the work goes on like never before. It was a wonderful late afternoon and early evening...
Enquanto eu caminhava para o portão de embarque no dia seguinte... Me lembrei que as vezes você percebe as mãos da pessoa tremendo antes de entregar um Hung Baau durante a Cerimonia, outras pessoas gaguejam na hora de falar ou simplesmente falam de maneira breve para acabar logo... Outros esquecem um ou dois movimentos que praticaram nos últimos meses...  Porém conforme os anos vão passando, você cresce sem perceber de tal maneira, que coisas que antes te deixavam nervoso, você nem sequer lembra. Então eu sentei no avião com meu Si Hing, conversei bastante com ele, comi um Cookie com café e quando percebi já estava em Brasília... Apesar disso, não achei que perdi tempo estudando sobre aviação. Pelo menos agora eu já conheço todos os tipos de turbulência... 

As I walked to the departure gate the next day... I remembered that sometimes you notice a person's hands shaking before handing out a Hung Baau during the Ceremony, other people stutter when speaking or simply speak briefly to it's over soon... Others forget a move or two they've practiced in the last few months... But as the years go by, you grow up not realizing it in such a way that things that used to make you nervous, you don't even remember. So I sat on the plane with my Si Hing, talked a lot with him, ate a Cookie with coffee and when I realized I was already in Brasilia... Despite that, I didn't think I wasted time studying about aviation. At least now I know all kinds of turbulence...

A Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com.