Talvez ir além não seja ultrapassar aqueles que vieram antes de nós. Talvez seja fazer com que aquilo que eles nos confiaram seja capaz de chegar a pessoas que eles jamais conhecerão.
Grandmaster Leo Imamura (PHOTO ABOVE) comments: “Ving Tsun is not merely a technique, nor is it simply a Chinese cultural heritage. It is a Kung Fu System, capable of taking root in a field as diverse and unstable as Brazil without dissolving into it. Brazil, in turn, demonstrates that its greatest strength does not lie in uniformity, but in its ability to embrace differences without losing its centre. When these two logics meet, something rare happens: an ancient tradition proves that it can cross the world, while a young civilisation demonstrates that it can sustain something profound. This is how a Kung Fu System is kept alive: not because it is repeated, but because it is able to continue.”
Perhaps going beyond does not mean surpassing those who came before us. Perhaps it means enabling what they entrusted to us to reach people they will never know.
No último final de semana, foi celebrado o NDP 2026 em Singapura, e talvez seja justamente isso que significa colocar o todo antes da parte. Isso não significa ignorar a própria sobrevivência, mas compreender que ela não pode ser o critério final de nossas decisões. Quando o propósito é maior do que aquele que o carrega, sobreviver deixa de ser apenas uma questão individual.
Torna-se parte da responsabilidade de fazer com que aquilo que recebemos continue existindo depois de nós. Salvaguardar não é impedir que um Sistema como o Ving Tsun mude. É impedir que nossas necessidades pessoais sejam aquilo que determine para onde ele vai.
Last weekend, NDP 2026 was celebrated in Singapore, and perhaps this is precisely what it means to put the whole before the part. This does not mean ignoring our own survival, but understanding that it cannot be the ultimate criterion for our decisions. When the purpose is greater than the person who carries it, survival ceases to be merely an individual matter.
It becomes part of the responsibility of ensuring that what we have received continues to exist after we are gone. Safeguarding does not mean preventing a System such as Ving Tsun from changing. It means preventing our personal needs from determining where it goes.
Grão-Mestre Leo Imamura comenta que: “...Eu estava transmitindo decisão, medida, continuidade e responsabilidade. Isso é Jing Tung em sua forma mais exigente: a continuidade viva que se prova quando atravessa contextos que não a protegem. Essa capacidade só foi possível porque o critério brasileiro, integração sem colapso, estava ativo em mim. Eu sabia, e ainda sei, acolher diferenças, sustentar ambiguidade e manter o eixo sem exigir homogeneidade. Isso transformou fragilidade cultural em força civilizacional.”
Quando fui convidado para fazer parte do Moy Yat Ving Tsun Safeguard Group (foto acima), tinha comigo a convicção de que seria importante colocar o todo antes da parte a todo momento. Como já escrevi aqui algumas vezes, o próprio nome “Safeguard Group” é muito feliz, pois nos lembra do nosso propósito a cada instante. Empreender com artes marciais no Brasil não é uma tarefa fácil. Quando seu trabalho é empreender sem que o motivo primário seja o lucro, mas sim a salvaguarda daquele patrimônio cultural do qual você é um representante, tudo se torna ainda mais desafiador. Sem um propósito claro que nos permita seguir adiante diante de cada novo desafio, se pensarmos apenas em nossa própria sobrevivência, isso se torna impossível.
Grão-Mestre Leo Imamura comenta que: “... Chuen 傳 (Chuán / 传) não significa ‘ensinar’ nem ‘divulgar’. Significa fazer continuar. Continuar o quê? Não apenas movimentos, nomes, histórias ou um repertório. Continuar uma correção viva, aquilo que chamamos de eixo de Jing Tung 正統 (Zhèngtǒng / 正统): a linhagem ortodoxa de um critério reconhecível. Por isso, a transmissão forte, aquela que capacita, não se confirma pelo volume de informação que circula, nem pela quantidade de praticantes. Ela se confirma quando o discípulo passa a operar o critério por dentro.”
De minha parte, o Grão-Mestre Leo, meu Si Gung 師公 (Shī Gōng / 师公)[foto acima comigo], me proporciona uma série de oportunidades que têm surgido graças à sua dedicação e ao empenho que tem demonstrado em meu desenvolvimento. Alguns de nossos diálogos são especialmente divertidos: “Fico preocupado de ir e atrapalhar o senhor.” “Mas, no dia em que você for, você vai me atrapalhar. Você realmente acha que não?” (Risos.)
Tenho tido a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e de conviver com profissionais dos “Rios e Lagos”, com quem tenho aprendido e compartilhado experiências que são, verdadeiramente, inenarráveis. E, ainda assim, hoje, mais uma vez cuidando do jardim do Instituto Moy Yat, percebi que, sem dúvida, essa continua sendo uma das melhores partes de tudo isso. Cada vez que corto aquele gramado e podo as pequenas árvores do local, sinto, de alguma maneira, com ainda mais clareza, a sorte que tenho de estar vivendo tudo isso. Não tem explicação. Nunca é tarde para realizar nossos sonhos.
Basta ter disposição, um pouco de sorte e, sobretudo, contar com a paciência de um bom mentor. Eu nunca desisti.
Grandmaster Leo Imamura comments: “...Chuen 傳 (Chuán / 传) does not mean ‘to teach’ or ‘to promote’. It means to make something continue. Continue what? Not merely movements, names, stories or a repertoire. To continue a living correction, what we call the axis of Jing Tung 正統 (Zhèngtǒng / 正统): the orthodox lineage of a recognisable criterion. Therefore, strong transmission, the kind that empowers, is not confirmed by the volume of information that circulates, nor by the number of practitioners. It is confirmed when the disciple begins to operate the criterion from within.”
As for me, Grandmaster Leo, my Si Gung 師公 (Shī Gōng / 师公) [photo above with me], has provided me with a series of opportunities that have arisen through his dedication and the commitment he has demonstrated to my development. Some of our conversations are particularly amusing: “I worry that I might go and get in your way.” “But the day you go, you will get in my way. Do you really think you won’t?” (Laughter.)
I have had the opportunity to meet remarkable people and to spend time with professionals from the “Rivers and Lakes”, with whom I have learnt and shared experiences that are, truly, beyond words. And yet, today, once again tending to the garden at the Moy Yat Institute, I realised that, without a doubt, this continues to be one of the best parts of it all. Every time I mow that lawn and prune the small trees on the grounds, I somehow feel, with even greater clarity, how fortunate I am to be experiencing all of this. There is no explanation for it. It is never too late to fulfil our dreams.
All it takes is determination, a little luck and, above all, the patience of a good mentor. I never gave up.



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