domingo, 7 de agosto de 2022

Biu Ji:An essay on the strange art of moving on.

Eu sempre fui uma pessoa com muitos planos para realizar... De vez em quando eu volto a ser essa pessoa. Percebi ao longo dos anos, que principalmente quando estamos em momentos difíceis e os sentimentos e sensações se amplificam. Temos uma tendência a tentar nos cobrir com camadas que já não nos servem mais. E isso incluiu, lamentar planos que não foram realizados ou que ainda não se realizaram.
O  “Biu Ji” é o nome que damos ao terceiro Domínio do Sistema Ving Tsun. Dentre tantas possibilidades, tomamos esse nome por “Bússola Padrão”. Sendo assim, não importa como você sacuda uma bússola ou jogue ela de um lado para outro, ela sempre vai apontar precisamente na direção que foi projetada para apontar. Porém, por conta dos sacolejos da vida serem sempre inéditos, deixamos de seguir a direção que nossos corações apontam e acabamos nos perdendo. 
Quando tive acesso ao “Biu Ji”, não tinha condições de valorizar esta ferramenta que me havia sido entregue. E mesmo cinco anos depois, quando realizei a Cerimonia para receber a certificação internacional do “Biu Ji”[foto acima], ainda não fazia ideia do que ele poderia me prover um dia. Eu sentia muito os golpes que a vida me dava, por não entender que o conflito faz parte da vida. 

I've always been a person with a lot of plans to accomplish... Every now and then I go back to being that person. I realized over the years, that especially when we are in difficult times and our feelings and sensations are amplified. We have a tendency to try to cover ourselves with layers that no longer serve us. And that included regretting plans that weren't realized or that haven't yet been realized.
“Biu Ji” is the name we give to the third Domain of the Ving Tsun System. Among so many possibilities, we took this name as “Standard Compass”. So no matter how you shake a compass or throw it from side to side, it will always point precisely in the direction it was designed to point. However, because the jolts of life are always unheard of, we fail to follow the direction our hearts point and end up getting lost.
When I had access to “Biu Ji”, I was not able to value this tool that had been given to me. And even five years later, when I performed the Ceremony to receive the international certification of “Biu Ji” [photo above], I still had no idea what it could provide me one day. I really felt the blows that life gave me, for not understanding that conflict is part of life.

Devido a minha natureza, eu sempre consegui executar o “Biu Ji” com a vivacidade necessária para cada ocasião, desde meus 17 anos de idade[Na foto eu tinha 22 anos]. Porém, eu não parava para pensar com mais cuidado, nos movimentos em sequencia que nos ajudam a perceber cada caso que ali está. E que ao entendermos como vamos de caso a caso, podemos inclusive nos permitir apreciar as mudanças e não ficarmos presos a uma fase da vida ou a um episódio qualquer. Assim como no Sistema Ving Tsun. 
O “Biu Ji” tem o potencial de promover constantes variações de diferentes fatores quando o executamos com afinco. Acontece que as vezes, a vida promove tantas mudanças que não desejamos, que esquecemos que a sua própria essência deveria ser a mudança constante. Assim como o “Biu Ji”.
Com os anos e seus acontecimentos, percebi que a vida que vivemos não é um direito nosso. Talvez ela venha a se tratar mais de um “privilégio”, e por isso deveríamos aceitar o que a vida está nos dando. Com todas as suas mudanças indesejadas.

Due to my nature, I have always managed to perform the “Biu Ji” with the necessary vivacity for each occasion, since I was 17 years old [In the photo I was 22 years old]. However, I didn't stop to think more carefully about the sequential movements that help us to understand each case that is there. And that when we understand how we go from case to case, we can even allow ourselves to appreciate the changes and not get stuck in a phase of life or any episode. Just like in the Ving Tsun System.
The “Biu Ji” has the potential to promote constant variations of different factors when we execute it with heart. It happens that sometimes, life promotes so many changes that we don't want, that we forget that its very essence should be constant change. Just like “Biu Ji”.
With the years and their events, I realized that the life we ​​live is not our right. Perhaps it will turn out to be more of a “privilege”, and that is why we should accept what life is giving us. With all its unwanted changes.
[Meu Mestre Julio Camacho, demonstra o Biu Ji em Shunde, terra natal de Chan Wa Sun]
[My Master Julio Camacho, doing the Biu Ji in Shun De. Homeland of Chan Wa Sun]

Uma vez caminhava com meu Si Fu em um aeroporto do Rio, e ele me perguntou como estava o meu projeto de me mudar para outro país. Eu disse que não sabia ainda como poderia faze-lo. Ele disse: “Como assim? Compra uma passagem, e vai!”- Ele sorriu me olhando enquanto caminhávamos, eu fiquei desconcertado e olhei para baixo. Nos dirigíamos a uma área para aguardarmos a chegada do Si Gung, depois de identificarmos o portão certo. Si Fu então continuou: “Não é você que gosta de ficar citando aquela frase de que 'O tigre nunca pega o coelho porque o coelho corre pela vida, e o tigre pelo almoço'?” - Perguntou ele. Eu sorri sem graça e respondi que sim. Ele prosseguiu: “Quando você se coloca para a coisa acontecer...E claro que você não vai comprar a passagem e simplesmente pegar o avião... Mas você entende que numa situação como essa, você não tem outra escolha a não ser dar certo?”. - Precisei concordar com Si Fu imediatamente. 
Então, hoje eu acredito que quando alguém fica por muitos anos numa Família Kung Fu, fazendo o “Biu Ji”, vendo outras pessoas fazerem, ajudando pessoas a entenderem, pensando sobre o “Biu Ji”, ouvindo falar dele etc., etc...  É impossível que esta pessoa em seu pior momento, não encontre condições de reencontrar a direção que seu coração aponta e seguir em frente. E mesmo eu que em alguns momentos penso: “Dessa vez não vai dar”. Ao invés de lidar com essa mentira que disse para mim mesmo, prefiro observar quais recursos estão a minha disposição, e retomar a Linha Central. Porque agindo assim, não existe outra possibilidade, que não seja continuar no jogo. Continuar na luta para mais um round. Para quem vive o “Biu Ji”, é impossível desistir. 

I once walked with my Si Fu at an airport in Rio, and he asked me how my project of moving to another country was going. I said I still didn't know how I could do it. He said, “How so? Buy a ticket, and go!”- He smiled looking at me as we walked, I was disconcerted and looked down. We were heading to an area to await the arrival of Si Gung, after identifying the right gate. Si Fu then continued: "Aren't you the one who likes to keep quoting that phrase that 'The tiger never catches the rabbit because the rabbit runs for life, and the tiger for lunch'?" - He asked. I smiled awkwardly and replied yes. He continued: “When you set yourself up for the thing to happen...Of course you're not going to buy the ticket and just get on the plane... But you understand that in a situation like this, you have no choice but accomplish what you want?". - I had to agree with Si Fu immediately.
So, today I believe that when someone stays for many years in a Kung Fu Family, doing “Biu Ji”, watching other people do it, helping people to understand it, thinking about “Biu Ji”, hearing about it etc., etc. .. It is impossible that this person, at his worst moment, does not find conditions to find the direction his heart points and move on. And even I sometimes think: “This time it won't work”. Instead of dealing with this lie I told myself, I prefer to observe what resources are at my disposal, and go back to the Center Line asap. Because acting like this, there is no other possibility, other than to continue in the game. Continue in the fight for one more round. For those who know “Biu Ji”, it is impossible to give up.

The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com