terça-feira, 9 de junho de 2026

The Se Family Visits the Moy Yat Institute: An Essay on Baat Jaam Do

Tive a honra de receber, em nome do Instituto Moy Yat, a visita do Sensei Se (segundo da esquerda para a direita) e das Srtas. Carol(fotógrafa) e Lili (primeira da esquerda para a direita). Eles representam uma empresa familiar especializada no fornecimento de equipamentos de alta qualidade para Kendo e outras artes marciais japonesas para toda a América do Sul, com showroom localizado no bairro da Liberdade em São Paulo. Fomos apresentados a eles pelo querido Sensei Ricardo Leite, 6º Dan de Aikido.

Na ocasião, o Grão-Mestre Leo Imamura estava presente conduzindo as atividades de sua Família Kung Fu no espaço do Instituto, o que tornou possível realizar este registro tão especial.

Essa visita aconteceu de forma quase espontânea, após uma segunda visita minha à loja para adquirir uma bengala. Na oportunidade, pude conversar novamente com a Srta. Lili e identificar algumas possibilidades de parceria. Seu conhecimento, sua paixão pelo trabalho que desenvolve, pelos equipamentos que comercializa e pela história construída por seu pai sempre me impressionaram.

Entretanto, naquele dia, uma observação em particular chamou minha atenção. Ao relatar uma situação em que se deparou com uma pessoa excessivamente estressada ou irritada, ela comentou que sua recomendação foi simples: Sugerir a pessoa voltar a praticar Kendo. Segundo ela, embora aquela pessoa fosse praticante, a arte ainda não estava verdadeiramente dentro dela.

O assunto surgiu já na porta do elevador, quando deixávamos o showroom comentando sobre a admiração que ambos compartilhamos pela pessoa do Sensei Ricardo Leite. Ao final da conversa, ela teria observado algo que me marcou profundamente: “Você percebe que o Aikido está dentro dele.

Quando compartilhei essa história com meu Si Gung,o Grão-Mestre Leo,  ele apenas sorriu em silêncio, aparentando satisfação com a perspicácia da observação. Talvez porque essa percepção esteja alinhada com algo que ele compartilhou em seu livro:

“...É a pressão que revela quem apenas decorou regras e quem realmente interiorizou critérios; quem repete técnicas mecanicamente e quem consegue agir com medida viva...”

Em essência, era exatamente isso que a Srta. Lili estava expressando. Uma compreensão rara de que a prática genuína transcende a execução técnica e passa a se manifestar naturalmente na maneira de pensar, agir e se relacionar com o mundo. De certa forma, essa observação também diz muito sobre a qualidade da formação recebida de seu próprio pai como Sensei.

I had the honour of welcoming, on behalf of the Moy Yat Institute, Sensei Se (second from left to right) and Ms Carol (photographer) and Ms Lili (first rom left to right). They represent a family-run company specialising in the supply of high-quality equipment for Kendo and other Japanese martial arts throughout South America, with a showroom located in the japanese district of São Paulo. We were introduced to them by the esteemed Sensei Ricardo Leite, 6th Dan Aikido.

On that occasion, Grandmaster Leo Imamura was present, conducting the activities of his Kung Fu Family at the Institute, which made it possible to capture this particularly meaningful moment.

The visit came about almost spontaneously following my second visit to their shop to purchase a walking stick. During that visit, I had the opportunity to speak once again with Ms Lili and to identify a few potential opportunities for collaboration. Her knowledge, passion for her work, the equipment she provides, and the legacy built by her father have always impressed me.

However, on that particular day, one observation stood out. While recounting an encounter with someone who was excessively stressed or irritated, she mentioned that her recommendation had been simple: that the person should return to practising Kendo. According to her, although that individual was technically a practitioner, the art was not yet truly within them.

The subject arose as we were leaving the showroom and speaking about the admiration we both share for Sensei Ricardo Leite. As the conversation came to an end, she made a remark that left a lasting impression on me:

You can see that Aikido is within him.”

When I later shared this story with my Si Gung, Grandmaster Leo Imamura, he simply smiled in silence, seemingly appreciating the insight behind her observation. Perhaps because it resonates with something he wrote in his new book:

“...It is pressure that reveals who has merely memorised rules and who has truly internalised principles; who mechanically repeats techniques and who is capable of acting with living measure...”

In essence, this was precisely what Ms Lili was expressing. A rare understanding that genuine practice transcends technical execution and naturally manifests itself in the way one thinks, acts, and relates to the world. In a sense, her observation also says a great deal about the quality of the training she received from her own father as a Sensei.

Essas são as três facas que utilizei ao longo do meu estudo no Domínio Baat Jaam Do.

A primeira, da esquerda para a direita, veio da China em 2009, por insistência do meu irmão Kung Fu Vladimir Anchieta, que compreendia a importância de adquirir um par. A segunda também surgiu por insistência . Tanto a do meio quanto a da direita, foram confeccionadas pelo Mestre Senior Leandro Godoy, uma pessoa inteligentíssima, de raciocínio extremamente rápido e, ao mesmo tempo, gentil e paciente.

Ao longo dos anos, me foi dada a oportunidade de refletir com mais profundidade e fundamento sobre a personalização das diferentes partes de uma faca. Graças ao início desse entendimento, avancei para uma nova etapa: solicitar ao Mestre Godoy um novo par, o primeiro da direita para a esquerda, cujo design não apontasse para indícios daquilo que ainda não compreendo sobre o Baat Jaam Do.

O Grão-Mestre Leo Imamura compartilha que a interiorização de um conhecimento se manifesta quando a medida se instala no corpo e no coração. Nesse estágio, o praticante já não precisa perguntar constantemente se está certo ou errado, pois a própria ação passa a revelar a resposta.

Tendo isso em vista, reconheço que minha busca por essa medida ainda possui um longo caminho pela frente. Talvez por essa razão, a faca da direita seja, a melhor escolha para mim. Ela representa menos aquilo que imagino saber e me ajuda naquilo que ainda preciso compreender.

These are the three knives I have used throughout my study within the Baat Jaam Do Domain.

The first, from left to right, came from China in 2009, following the insistence of my Kung Fu brother, Vladimir Anchieta, who understood the importance of acquiring a pair. The second also came about through insistence Both the middle and the right-hand knives were crafted by Senior Master Leandro Godoy, an exceptionally intelligent individual with remarkably quick reasoning, while at the same time being kind and patient.

Over the years, I have been given the opportunity to reflect more deeply and with greater foundation on the customisation of the different parts of a knife. Thanks to the beginning of that understanding, I moved on to a new stage: requesting a new pair from Master Godoy, the first pair from right to left, whose design would not point towards indications of what I still do not understand about Baat Jaam Do.

Grandmaster Leo Imamura teaches that the internalisation of knowledge becomes evident when measure settles within both the body and the heart. At that stage, the practitioner no longer needs to constantly ask whether something is right or wrong, because the action itself begins to reveal the answer.

With that in mind, I recognise that my search for such measure still has a long way to go. Perhaps for that reason, the knife on the right is the most appropriate choice for me. It represents less of what I imagine I know and assists me in what I still need to understand.



Acima, temos o registro da primeira visita do Si Gung, minha e de meus alunos ao showroom da Se Bogu Kendo.

Na ocasião, a Srta. Lili apresentou cada equipamento com impressionante precisão. O fato de a visita ter sido uma indicação do Sensei Ricardo Leite já havia criado uma expectativa positiva em todos nós. No entanto, o que mais chamou minha atenção não foi apenas a qualidade dos produtos, mas a capacidade dela de compartilhar, com critério e clareza, diferenças sutis entre eles.

Essa experiência me levou a refletir sobre o quanto conseguimos, enquanto profissionais em nossas respectivas áreas, alcançar esse nível de interiorização daquilo que fazemos.

Sobre esse tema, o Grão-Mestre Leo Imamura, meu Si Gung, comenta que, no Ving Tsun Kung Fu, compreender não significa apenas ser capaz de explicar algo. Compreender é ser capaz de manifestar esse conhecimento na própria ação. Trata-se de uma observação muito semelhante àquela frequentemente destacada pelo Mestre Guadelupe em seu trabalho como operador de forças de operações especiais.

Ainda sobre a transmissão do Sistema Ving Tsun, que não se baseia apenas naquilo que em inglês se chama de "lectures", o Si Gung também ressalta que o aprendizado não acontece simplesmente ouvindo ou lendo. Ele acontece praticando. Nomes podem ser memorizados. Conceitos podem ser repetidos. Contudo, somente a experiência permite interiorizar princípios e desenvolver o critério necessário para aplicá-los de forma viva e adequada às circunstâncias.

Tendo tudo isso em vista, fica para mim uma profunda admiração pelo trabalho do Sensei Se, pelo trabalho do Grão-Mestre Leo Imamura e, ao mesmo tempo, uma consciência ainda maior de todo o caminho que tenho pela frente como promotor de uma transmissão capacitadora.

Não será fácil. E talvez seja justamente por isso que valha a pena.

Above is a record of the first visit made by my Si Gung, my students and myself to the Se Bogu Kendo showroom.

On that occasion, Ms Lili presented each piece of equipment with remarkable precision. The fact that the visit had been recommended by Sensei Ricardo Leite had already created a positive expectation among all of us. However, what impressed me most was not simply the quality of the products themselves, but her ability to explain, with clarity and sound judgement, the subtle differences between them.

This experience led me to reflect upon the extent to which we, as professionals in our respective fields, are able to achieve that same level of internalisation of what we do.

On this subject, my Si Gung, Grandmaster Leo Imamura, explains that in Ving Tsun Kung Fu, understanding does not simply mean being able to explain something. To understand is to be able to manifest that knowledge through one's actions. It is an observation very similar to one frequently emphasised by Master Guadelupe in his work as a special operations operator.

Regarding the transmission of the Ving Tsun System, which is not based solely on what in English is referred to as "lectures", Si Gung also emphasises that learning does not occur merely through listening or reading. It happens through practice. Names can be memorised. Concepts can be repeated. However, only experience allows one to internalise principles and develop the judgement necessary to apply them in a living and appropriate manner according to the circumstances.

With all of this in mind, I am left with a profound admiration for the work of Sensei Se, for the work of Grandmaster Leo Imamura, and at the same time, a greater awareness of the long journey that still lies ahead of me as a promoter of an empowering transmission of knowledge.

It will not be easy. And perhaps that is precisely why it is worthwhile.